29° e último dia – 24/01/19

29° e último dia – 24/01/19
Concórdia à Rolante
Quilometragem Parcial: 967,2 km 
Quilometragem total acumulada: 11.354 km no google maps  e 11.529 km no marcador (odômetro

Último “tramo” de nossa viagem, e o mais longo. Nos propusemos a hoje chegar em casa, porém tínhamos pela frente quase 1000 km e uma fronteira para passar. Por um bom trecho andamos na escuridão, e a medida que o sol começava a mostrar a paisagem, víamos também que a região havia sido afetada por fortes chuvas nos últimos dias (as mesmas que assolaram a fronteira oeste de nosso estado). Rios cheios e campos alagados. As 11:00 da manhã chegamos em Uruguaiana. Trâmites como sempre “burros” e na minha opinião desnecessários, porém relativamente rápidos. Entrando no Brasil por Uruguaiana, seguimos a BR 290, em péssimo estado, mostrando escandalosamente a falta de respeito do estado para com o cidadão e para com as forças produtivas. Especialmente para com os caminhoneiros, que rasgam pneus, se acidentam, por conta desta total irresponsabilidade do poder público. Realmente não podemos nos admirar quando paralisam. Na verdade, devemos nos admirar pelo quanto de paciência eles possuem. Um verdadeiro lixo esta estrada, rivalizando pela posição de pior rodovia com o trecho de Campana. Em Alegrete paramos para almoçar. Quando saio do MH, escuto um pequeno chiado parecendo ar vazando. Será que mais um pneu furou? Ou seria a água do ar condicionado evaporando? Enquanto a turma toda foi almoçar, aproveitei para abastecer. E o barulho continuava. Também tive a impressão que o pneu começava a murchar. Ao lado do posto havia uma borracharia. Antes de ter que novamente desmontar um pneu, levei até o borracheiro para atestar se estava ou não vazando. E sim, estava. O 6° pneu furado desta viagem (se contar ninguém acredita, kkkk, mas é verdade. Um exagero, hehehe). A explicação para este, conforme o borracheiro, foi os concertos na Argentina, onde deixaram sujeira dentro do pneu, que ficaram roçando a câmara de ar, que somados a péssima qualidade desta, ocasionaram um micro furo. Isto tudo após diversos km rodados. Também a péssima estrada ajudou, apesar de ter conduzido com extremo cuidado. Enquanto ele concertava, fui almoçar. No fim, não tivemos prejuízo de tempo. Tudo ocorreu como um relógio suíço. Terminei o almoço, o pneu já estava concertado, o restante da equipe também estava pronta para seguir, e atento a péssima estrada, continuamos a nossa longa viagem. 500 quilômetros nos separavam de casa. Chegamos a Porto Alegre pelas 21:00 e resolvemos jantar no posto Grall em Cachoeirinha, junto a Freway. As crianças adoraram. Uma situação curiosa ocorreu quando estávamos na fila do caixa. Um casal de Uruguaios tentava pagar suas despesas, mas não possuía reais. Somente pesos uruguaios ou dólares. Não sei se imaginavam, a exemplo do que ocorre no Uruguai onde aceitam, dólares, pesos uruguaios, reais ou pesos Argentinos, que no Brasil ocorria o mesmo. Desolado, pedia em voz não muito alta (visivelmente constrangido), se alguém estava por um acaso, indo ao Uruguai e se necessitava de pesos uruguaios para viagem. Silencio de todos, e ele muito decepcionado e ainda mais constrangido, já ia devolvendo a mercadoria (lanches que levaria na viagem). Olhei para ele e mesmo sem perguntar o valor que necessitava, disse a ele e a caixa que o atendia e barrava sua compra com dólares, que deixasse comigo, que eu pagaria junto com minha conta. Recém vindo de uma viagem de 29 dias por outro país, soube bem o que ele estava sentido, e o quanto uma mão amiga longe de casa faz a diferença. Também fomos por mais de uma vez ajudados em nossa viagem. Era ora de retribuir, mesmo que de forma pequena. Ele ficou muito feliz. Infelizmente não pegamos o seu nome e contato. Talvez ali poderíamos ter iniciado uma ótima amizade. Disse a ele antes de nos despedirmos, o quanto admirava o querido povo uruguaio e o quanto este sempre nos recebeu muito bem, de forma amável e acolhedora. Fiquei também muito feliz e leve ao ajudá-los. Foi um episódio para fechar com chave de ouro nossa viagem. Também já nos dirigindo ao Motor Home conhecemos o Almir Almeida, viajante de camper que pernoitaria lá. Ele nos enviou uma mensagem enquanto estávamos jantando. A conversa com ele mesmo que breve, nos deu uma valiosa dica de um equipamento chamado TPMS, que monitora a calibragem dos pneus. Tendo em vista o histórico desta nossa última viagem, todos devem calcular o quão importante foi esta informação. Finalmente as 23:00 hrs, atracamos nosso Yete, em nosso porto seguro, chamado Sítio Wanderlust, após 29 dias de viagem, 3 países visitados, 6 pneus furados, lugares incríveis conhecidos, colecionado diversas histórias e ter rodado 11.529 km. Estávamos em casa, e restava, com uma prece silenciosa, agradecer a Deus por tudo que vivemos.
Obs: Neste último dia rodamos o equivalente a 967,2 km. Nos últimos 4 dias de viagens, percorremos 3.048 km.

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