24° Dia – 19/01/19

24° Dia – 19/01/19
Bajo Caracoles à Cueva de Las Manos (92 km, ida e volta)
Cueva de Las Manos à Perito Moreno (134 km)
Quilometragem parcial: 226 km 
Quilometragem total acumulada: 7.628 km


Para chegar ao sítio arqueológico Cueva de Las Manos, precisamos acessar novamente uma estrada de terra, ou seja, de rípio. Seriam 46 km de um bom rípio (a princípio foi o que nos informaram), até o canyon Rio Pintura, onde se localiza a Cueva de Las Manos, área protegida e tombado pela Unesco como patrimônio da Humanidade. Seguimos então esta estrada, que variava trechos bons, com não tão bons e trechos ruins. A estrada apresentando bela paisagem, com guanacos e nhandus (uma espécie de Ema), a sua margem. Quando nos aproximamos do Canyon Rio Pintura, uma forte descida se inicia para chegar até a entrada do parque, onde se localiza o sitio arqueológico na escarpa do Canyon. Iniciei a descida enfrentando as curvas, porém ao entrar na penúltima delas, de repente senti algo diferente. O Yete puxava para direita. Pensei, “não pode ser verdade, pneu de novo????...”. Nesta curva havia quase que milagrosamente um pequeno recuo, onde consegui estacionar o Yete, em um lugar relativamente plano e fora da estrada. Desci para averiguar e sim, inacreditável, mais um pneu furado. O Terceiro da viagem, sendo que o segundo havíamos furado a 3 dias atrás. E lá vamos nós, não mais que 300 metros do parque, em meio a um canyon, em uma descida fenomenal, trocar o pneu dianteiro do Yete. Mais um pneu destruído, pois se cortou na rodagem vazia. Desta vez conseguimos identificar o responsável pelo ocorrido. Um parafuso enfiado de forma perfeita no pneu. Enfim, encarrando com frieza, modelo mental focado no fazer, sabendo que após poderíamos seguir, assim fizemos e realizamos nossa terceira troca de pneu (sempre o mesmo). Não há mal que dure para sempre. Após toda a função, chegamos até a entrada do sítio e conseguimos pegar a turma de visitantes das 11:00. Lá as visitas somente são guiadas. Não há possibilidade de visitar o local, sem a presença de guias. Entramos com um grupo de japoneses. Além deles e de nós, mais duas famílias de argentinos. O perímetro de visita é muito bem estruturado, com passarelas em meio ao canyon, em um local muito lindo, com uma vista espetacular. Em que consiste a Cueva de Las Manos? É um sítio arqueológico, onde foi encontrado um singular e incrível tipo de arte rupestre, que datam de mais de 7000 anos. São pinturas de mãos, feitas com misturas de pigmentos minerais, gordura e sangue, apresentando um colorido de tom sobre tom muitíssimo interessante, sem falar que as pinturas estão em excelente estado de conservação e são completamente originais. As pinturas eram feitas, a partir da aspersão com o sopro em uma espécie de canudo desta material de tinta que utilizavam. O material era aspergido sobre a mão estendida na rocha que delineava o contorno desta mão (pintura em negativo). São milhares de mãos estampadas nestas paredes. O interessante que a medida que se avança na visita, se avança nos anos destas pinturas, e se percebe a evolução. Começando com pinturas de mais de 7000 anos, até as mais recentes e já com outras pinturas mais elaboradas de 1300 anos. Há inclusive uma pintura de uma mão de 6 dedos, e o interessante que esta é a única que não está em negativo, ou seja, não se pintou o contorno, mas sim o seu interior. As paredes sobre a qual foram impressas estas pinturas de mãos são verticais, trazendo ainda mais espetáculo ao local. A história deste povo, como caçadas de guanacos ou mesmo a pintura de patas de animais como puma ou nhandus também podem ser vistas. Muitíssimo interessante a visita e recomendo para quem algum dia passar por aqui. Almoçamos após a visita que dura uns 45 minutos no MH e seguimos viagem. Eu andava quase flutuando com medo de furar outro pneu no meio daquela vastidão desértica da patagônica, sem estar com estepe. Minha ideia, era chegara até Perito Moreno e comprar um novo pneu, mas já sabíamos da dificuldade, por ser sábado e por não ser uma cidade tão grande. Após achar uma Gomeria, um pouco pior que a do “Carlos Tucho” de El Calafate, comprei um pneu usado nem um pouco confiável, mas era o que tínhamos. Serviço feito, fomos até o La Anonima comprar mantimentos e após abastecemos. Resolvemos ficar em Perito Moreno, para descansar e relaxar do dia ótimo, mas ao mesmo tempo tenso. Conseguimos Luz e água no posto de combustível e aproveitei para faxinar a gabine e a Adelaide lavou algumas peças de roupa, pois começavam a escassear.

Nenhum comentário:

Postar um comentário