23º Dia – 18/01/19

23° Dia – 18/01/19
El Chalten a Bajo Caracoles
Quilometragem parcial: 523 km 
Quilometragem total acumulada: 7.402 km 

Dia de dizer mais uma vez Adeus a El Chalten (pois estivemos aqui em 2008), esta cidade instigante, linda e que merece uma estada maior para explorar suas bens sinalizadas trilhas e caminhos. Antes de seguir viagem, eu e a Adelaide procuramos uma Panaderia (Padaria) para o Desayuno (café da manhã), afinal, seria um dia de longa viagem até o nosso próximo destino, Bajo Caracoles, base para acessarmos o famoso sítio pré-histórico, “Cueva de Las Manos”. Conseguimos uma ótima Panaderia, já cheia de caminhantes e outros aventureiros do mundo todo. Esta Panederia, foi eleita como a que continha os melhores quitutes. Infelizmente não possuía “média lunas” (haviam acabado e as novas não estavam ainda assadas), mas seus outros produtos estavam ótimos e super recentes (fresquinhos). Seguimos, muito satisfeitos, a viagem retornando nos 90 km que separavam El Chalten da Ruta 40. A partir dali rodaríamos alguns quilômetros até a pequena cidade de Três Lagos, onde existe uma “Estacion de Servicio” que em 2008 paramos, antes de a partir dali, acessar a na época temível ruta 40, com rípio e vento. Naquele ano, a partir de Três Lagos até Bajo Caracoles e creio que também adiante, não existia asfalto. Atualmente, somente um trecho de 70 km que inicia alguns quilômetros após Três Lagos e termina alguns quilômetros anterior a cidade de Governador Gregores (dados que se referem ao sentido norte da ruta) é ainda de rípio. Em 2008, três quilômetros após acessarmos a Ruta 40 com um rípio horrível e horrível vento, tivemos uma forte queda, que graças a Deus não nos machucou gravemente, mas que poderia ter sido muito mais sério (Abaixo o link com o relato deste ocorrido em 2008). Portanto o rípio, já é caso antigo nosso, pois não temos uma relação amistosa. Infelizmente teríamos novamente que enfrentá-lo, após a traumatizante experiência de Tapi Aike. O Fato é que o Rípio deve ser respeitado, e a condução neste tipo de terreno exige algumas técnicas e cuidados. Teríamos 70 km de rípio pela frente e a decisão mais sábia era percorrê-lo “despacio (devagar)”, muito devagar, para não resultar em mais um pneu destruído. E assim procedi. A velocidade média não passou de 20 a 30 km por hora. Haviam trechos bons e trechos muito ruins. O Rípio são estradas com muitas pedras redondas (estas que conhecemos como pedras de rios), que ocasionam pelo passar dos veículos, trilhos enormes, portanto perigosos para quem anda rápido e para os motociclistas. Estas pedras também podem ser pontudas e cortantes como facas, por isso uma boa ideia é andar muuuuito devagar, principalmente para quem leva peso como nós. E estar mentalmente preparado para tudo isto com muita paciência e curtindo o caminho. Após aproximadamente 2 horas ou mais neste trecho, finalmente alcançamos o asfalto. Seguimos até Governador Gregores, onde já meia tarde almoçamos e abastecemos. Aqui vale destacar um fato histórico relacionado ao local. Em Governador Gregores, mais um episódio do período retratado como “patagônia rebelde” ocorreu. A Patagônia Rebelde, como já mencionado no post da passagem que tivemos por Jaramilo e o monumento Facon Grande, foi um levante de campesinos, reivindicando melhores condições de trabalho no início do século passado. Foi um levante contra os grandes estacieiros (A Argentina é conhecida como o país das Estâncias). A rebelião sofreu forte e violenta repressão e neste local, na entrada da cidade 200 trabalhadores foram fuzilados, queimados e enterrados em uma cova comum. O Episódio é lembrado a partir de um monumento em honra e memória a estas pessoas que tombaram neste fatídico dia na entrada da cidade, de quem vem do Sul. No posto de combustível de Gov. Gregores encontramos também três simpáticos motociclistas que vinha de Neuquem e queria chegar a El Chalten. Preocupados com o Rípio, pediram orientação. Aconselhei a irem bem cedo, pois não há vento e muito devagar. Após o almoço, seguimos viagem pois havia ainda um longo trecho pela frente até Bajo Caracoles. Em dada altura em um paradouro "hotel El Olnie" pensamos em pernoitar. Paramos, fomos falar com o dono, sobre a possibilidade de pernoitar ali e se possível usar água, o que ele assentiu, mas nos pediu para esperar que logo seu filho nos orientaria. Esperamos, esperarmos e esperamos. Estão nos fazendo de bobo, comentei com a Adelaide. Vamos seguir. Foi o melhor que fizemos. Chegamos em Bajo Caracoles com o Sol já se pondo, mas conseguimos água, no único posto de combustível do pequeno local (posto de combustível é uma forma bem favorável de se referir a ele pois era somente uma bomba de combustível isolado no meio da localidade). Lá outros viajantes estavam também chegando, portanto não éramos os únicos a viajar até tarde. Uma família, também recém chegada, capturou um “peludo”, nome dado a um pequeno tatu encontrado somente aqui. E estava vivo, e curiosos com a oportunidade pedimos para vê-lo, o que assentiram e ainda insistiram para que pegássemos. Um momento interessante para as crianças que puderam ver de perto este bichinho que haviam somente avistado de longe e de passagem pelas estradas. Infelizmente o pobre bichinho logo, logo viraria um ensopado.
Abaixo o link do relato de nossa queda de moto na ruta 40 em 2008:

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