22° dia - 17/01/19

22° dia - 17/01/19
El Calafate a El Chalten
Quilometragem parcial: 214 km
Quilometragem total acumulada: 6.879 km 

Pela manhã, após abastecermos, me chamou a atenção lindíssimas rosas em frente a uma casa vizinha ao posto YPF. Grandes, cheirosas e bem cuidadas. Mereciam o registro. De lá circulamos pela avenida costaneira, que margeia o lago argentino repleto de aves e flamingos rosas e encontramos uma pracinha que as crianças fizeram questão de brincar. Aproveitamos bem o local. As crianças se divertiram. Aqui o título de melhor pracinha da Viagem. Almoçamos neste local e seguimos. Antes de sairmos de El Calafate dei uma parada uma livraria da cidade. Estava Interessado em livros sobre a Patagônia. A livraria era ótima e consegui diversos títulos. Comprei mais do que deveria e menos do que gostaria. Mas ok. É assim mesmo. Uma viagem amplia o escopo de compreensão e interesse com o conhecimento da história local, dos fatos curiosos e da origem de determinadas situações. Neste sentido sou muito curioso e a fonte para suprir esta insaciável curiosidade é a leitura. Me deleito em uma livraria, ao ponto de perder a noção do tempo. Mas enfim, livros comprados, seguimos nosso rumo, retomado a Ruta 40 no sentido Norte. O caminho pela 40 nesta altura é também lindo, com o lago Argentino e o Rio Santa Cruz de águas azuis incríveis, contrastando com a estepe verde Marron da Patagônia. Além de cochilas e Cerros com formações diferentes. Antes do acesso a cidade de El Chalten, paramos no famoso paradouro La Leona, onde conta a história, o agrimensor Perito Moreno teria sido atacado por um Puma, e por isso o nome do paradouro (hoje hotel), e do Rio que passa em frente, Rio La Leona. Me decepcionei um pouco com o local, pois pensava encontrar mais história. Encontrei nada mais que um ponto “normal”, que vende café (nem tão bom), e vende suvenirs. Na parede a Foto de Butch Cassady e a menção a ele ter estado e pousado neste local, fato não verdadeiro. A cronologia das datas faz ser Impossível está passagem. Mesmo assim continuam a reproduzir esta mentira, o que acho uma sacanagem. Mas vi também uma foto do cineasta Francis Ford Coppola no paradouro, este sim um fato verdadeiro. No mais decepcionado pois tinha a Expectativa de encontrar um “bolicho” repleto de wHistórias, mas não foi o caso. Seguimos com uma dúvida quanto ao nosso próximo destino. Entrar ou não entrar na cidade de El Chalten, a pequena cidade encravada em um canyon, na base do incrível monte Fitz Roy com seu 3.359 m.a.n.m, cuja formação surpreende pela verticalidade. Creio que esta montanha inspirou a Recente animação “Yete”, como o lar destes gigantes (quem assistiu o desenho animado entenderá o que estou dizendo). Seriam 90 km contra o vento e mais 90 km para sair. Somente esta visita demandaria 180 km a mais. Pensamos, conversamos e decidimos que valeria a pena ir até lá e fazer uma experiência de trekking com o Artur. El Chalten é a Meca dos escaladores e amantes do treikking. Diversas trilhas muito bem marcadas, com diferentes níveis de dificuldade estabelecem a cidade como um ponto para esta partida. A propósito, a cidade em si e sua localização neste espaço de Vale e Canyon, é algo extremamente diferente e interessante. Em minha opinião é a cidade mais bonita que visitamos, pela sua peculiar geografia e localização do seu assentamento. Lá, vc encontrará turistas do mundo todo, especialmente mochileiros. Havia uma trilha próxima a Cidade, chamada mirador de Los Condores que era de nível fácil de dificuldade, embora com uma interessante inclinação. Iríamos, eu e o Artur fazer este caminho. Ao chegar em El Chalten paramos no único posto de combustível na entrada da cidade, instalado em um container e conhecemos o frentista que ganhou o título de mais antipatico, arrogante, estupido e marrento de toda a viagem. Ganhou inclusive da “rainha da Inglaterra”, já mencionado aqui, lá no post de Ushuaia. Incrível a antipatia. Se graduou e pós graduou nesta arte. Foi perfeito neste quesito, ganhando o troféu “mais imbecil”. Estacionamos mais adiante em um estacionamento no lado oposto da rodovia que acessava o centro de informações na entrada da cidade. Neste local, indicado pelo IOverlander, vários outros overlanders do mundo todo estavam estacionados. O Artur, juntou seu “equipamento”, mochila, canivete suíço e a garrafa de água, colocou seu tênis e fomos ao encontro do mirador de Los condores. Seria uma caminhada de 1:30 entre ir e voltar. A trilha sobe até uma montanha de paredes verticais, que da uma incrível vista para a cidade e se tiver sorte verá condores nos ninhos deste paredão. No horário que estávamos indo, tínhamos também de bônus o espetáculo do por do sol se pondo atrás das agulhas do complexo de montanhas Fitz Roy, completamente esbranquiçadas. Somente o pico Fitz Roy pela sua total verticalidade não segurava a neve. Chegamos ao local, fotografamos e descemos. Infelizmente não avistamos condores, mas valeu muito a pena a caminhada e o Artur adorou. No Yete, o Davi montava seu Lego e a mamãe já concluía o jantar. Comemoramos o dia, e a decisão de termos vindo para este incrível local.

P.S: Infelizmente, viemos a saber depois, dois brasileiros que tentavam a escalada ao Monte Fitz Roy, no dia seguinte as 14:00, foram vistos pela última vez, descendo a montanha quando uma tempestade os alcançou. Desaparecidos, seus corpos foram avistados dia 26/01. Nestes locais não há perdão para eventuais ou simples decisões equivocadas. E a montanha passa a ser o túmulo de suas vítimas.
Abaixo link com toda a informação sobre este triste acontecimento:

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