20° dia - 15/01/19 - 3ª Parte

20° dia - 15/01/19 - 3ª Parte
Torres del Paine a El Calafate
Quilometragem parcial: 404 km
Quilometragem total acumulada: 6.505 km 


Muita sorte e o universo conspirando a nosso favor no avistamento do Puma. Até o final do dia esta maré de sorte viraria. Seguimos nosso caminho em estado de estase e com a imponência e beleza da natureza continuando a nos impressionar. Em dado ponto uma aglomeração da qual nunca havíamos visto de Guanacos. Creio que mais de 100, juntos, sentados tranquilamente. Pareciam domesticados. Mas na verdade esta amistosidade é conquistada em função deste santuário que os protege e portanto o ser humano aqui não os ameaça. Aqui Não possuem medo. Esta foi uma cena fora de série. Chegamos enfim a pequeníssima e super ajeitada Cerro Castillo, que também me surpreende, ao saber que pessoas vivem nestes Confins em casas boas e aquecidas. Política de assentamento do governo Chileno. Morar com os incentivos do governo Chileno nestes locais distantes e ermos significam para eles, “fazer pátria”. Em Cerro Castilho fica também passo Rio Dom Guillermo, onde atravessaríamos para novamente adentrar a Argentina. Trâmites feitos e alguns quilômetros de Rípio, nos colocaram pela primeira vez nesta viagem, na famosa Ruta 40, Carretera que corta a Argentina de Sul a Norte em paralelo à cordilheira dos Andes. A conhecida pela alcunha de “mítica Ruta 40”. Rodamos alguns quilômetros até Tapi Aike, um entroncamento, onde a velha Ruta 40 segue 65 km em Rípio. Rípio, uma estrada de pedras redondas, depois explico, é uma “entidade” aqui na Argentina. Neste local, onde existe um pequeno posto de combustível que em 2008 também paramos, está exatamente em frente à este entroncamento. Tínhamos duas opções: seguir pelo asfalto (novo traçado da 40) e fazer uma volta com 60 km a mais ou continuar na antiga 40 e economizar estes 60 km, com a desvantagem do Rípio. Perguntei ao frentista o estado do Rípio e ele não recomendou pega-lo, especialmente por estarmos nós, na concepção dele, com uma “camper”, que é diferente de um MH. Porém pensei: estou com um veículo 4x4, já havíamos pego mais de 300 km em Rípio. Nada absurdo. Creio que ele possa estar exagerando. Em 2008 fizemos este trajeto de moto e não achei tão ruim. Creio que dará certo. Resolvemos seguir este caminho de Rípio. Antes, busquei nas vitrines deste pequeno posto de combustível, algum vestígio de nosso adesivo de 2008. Não o estava encontrando. Perguntei a ele se os retiravam a cada tanto. Respondeu que não. Já desistindo de encontrá-lo, não é que ele aparece?! E em ótimo estado. Lindo de reencontra-lo. Parece bobagem, mas aquele adesivo tem muito significado e história. Feliz pelo reencontro, afixei o atual adesivo ao lado deste de 2008 (quem sabe em um futuro meus filhos os reencontrem?). Seguimos animados e felizes nosso caminho. Felicidade que durou pouco, logo que me dei conta da furada (literalmente) que foi, ter optado por este tramo. O Rípio estava horrível. O pior que já peguei. Seguimos devagar, com costeletas, pedras enormes, pedras pequenas, muito vento lateral em um descampado de estepe Patagônica sem fim. Finalmente ao final deste interminável trecho, alcançamos novamente o asfalto. No caminho, espantalhos muito sinistros guardavam a estrada. Mas eis que o rumo da nossa sorte (como mencionei no início deste texto) muda a poucos quilômetros de El Calafate, nosso destino neste dia. Um pneu furado, o segundo desta viagem, é o resultado da nossa escolha lá no entroncamento em Tapi Aike. Na verdade foi a “maldição” do espantalho da velha 40, história que contarei no próximo post.

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