18° dia -13/01/19

18° dia -13/01/19
Bahía inútil a Puerto Natales

Quilometragem parcial: 444 km 
Quilometragem total acumulada: 5.994 km

A Única colônia de Pinguins Reis fora da Antártica, em terras continentais, ficava a 1 km de onde pernoitamos, as margens da Bahia Inútil, em uma propriedade particular, que explorava agora comercialmente as visitas. Porém todo o local tendo o monitoramento dos órgãos ambientais do Chile. O curioso nome Bahia Inútil, assim como diversos outros nomes depreciativos para as enseadas e Bahias da terra do fogo e do estreito de Magalhães, decorre da animosidade destas águas para a navegação. Especialmente em função dos perigos de um mar violento devido aos ventos fortíssimos e constantes desta região. Na Bahia inútil, soma-se a isso, o fato de as águas serem rasas nesta Bahia, ou seja, inúteis para a navegação e atracamento. Neste local, nesta propriedade, que possui um pequeno canal em paralelo ao mar, em torno de 100 indivíduos pinguins reis, resolveram em 2012 se instalar. Os donos da propriedade em um primeiro momento observaram com ceticismo. Pensavam ser um porto passageiro e de descanso desta colônia. Porém eles não deixaram o local, fazendo com que os proprietários da estância acionassem os órgãos ambientais. Alguns anos depois, comemoravam o nascimento do primeiro filhote nesta colônia. De lá para cá, esta “turma” de simpáticos pinguins não para de crescer. O frio e o vento do local deixavam a temperatura com baixíssima sensação térmica. A colônia está a cerca de 40, 50 metros dos locais de observação construídos para possibilitar sua visualização. Duas super lunetas permitem vê-los com precisão e detalhe. Se tiveres uma câmara fotográfica com bom zoom ou binóculo poderá ver detalhes da sua pele e coloração que são lindas. Impressionante. O melhor horário para vê-los é pela manhã, quando o sol está ainda no sentido leste. A tarde terás dificuldade, pois o sol fará contra-luz, já se posicionando no sentido oeste, se deitando no Pacífico. Recomenda-se na entrada, máximo silêncio para não importuna-los. Estão lá, ampliando a prole, se deleitando no sol. Lindos. Também a paisagem da mais crua estepe Patagonia com a Bahia revolta, é em minha opinião outro espetáculo. Como pode a Patagonia ser minimalista e superlativa ao mesmo tempo??? Talvez ai esteja a sua magia. Este lugar me intriga e me atrai. Me pergunto como foi e é as rotinas dos homens que aqui vivem? Especialmente no inverno? A visita ao parque particular pinguim Rey custa 12.000 pesos chilenos, ou 72 reais por pessoa (muito caro em minha opinião), e requer um pequeno desvio de 10 km em bom Rípio da Y 257, ruta principal que liga Bahia Azul ao passo San Sebastián. Apesar do preço, recomendo a visita, pois para ver ao vivo esta espécie de pinguins, somente nas ilhas Malvinas, Geórgia, ou na Antartica. Portanto para quem estiver aqui, vale o desvio. Mas atentem para os horários. O parque funciona das 11:00 as 18:00. Terminada a visita seguimos rumo a Balsa do estreito de Magalhães, na Bahia azul. Também conseguimos entrar imediatamente, estando o canal relativamente tranquilo (relativisem o tranquilo. Tranquilo aqui já significam ondas enormes. Não tranquilo, significa canal fechado para o translado). Travessia feita, estacionamos ao lado do restaurante do estreito. Lá almoçamos tarde, pois também o café havia sido tarde, afinal tivemos que aguardar até as 11:00 para abertura do parque Pinguim Rei. Seguimos viagem com um fortíssimo vento nos segurando. Em San Gregorio, um minúsculo posto de combustível as margens da rodovia, abastecemos. Levou tempo, pois uma fila de motos e veículos aguardava. Todos que haviam saído do estreito. Há que se cuidar muito por estas bandas (especialmente de moto) quanto a abastecimento. São raros os postos e consumo aumenta drasticamente em função dos ventos. Quem está de carro também não deve facilitar. Eu levo 22 litros em um galão reserva. Ainda não precisei usar, e creio que não precisarei, mas me deixa mais tranquilo, afinal, vale a pena prevenir. Não se recomenda ficar sem combustível nesta imensidão de pouco movimento de pessoas e vento insano. Queríamos chegar em Puerto Natales e ainda tínhamos um bom trecho. No caminho o monumento ao vento, comprovando que este personagem é uma instituição por estes Confins. Quase decidimos ficar em um Pueblo chamado Teuelches a cerca de 150 km de Natales, mas resolvemos fazer o sacrifício e rodar até Natales. Este Pueblo Teuelche, antigo povo indígena da região, teve sua arena de rodeios incendiada a alguns anos em função de um cicloviajante de forma involuntária tê-la incendiado. Também os ventos amplificaram o poder de destruição do incêndio. Lá eles não simpatizam com viajantes por lá pousando, em função deste triste episódio. Chegamos ainda a luz do dia em Puerto Natales, recepcionadas pelo Milodon, no trevo de acesso a cidade. Estacionamos por sugestão do IOverlander no parking de um centro de informações a margens do canal que banha a interessante cidade de Natales.

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