16° dia - 11/01/19

16° dia - 11/01/19
Ushuaia
Dormimos mais que o que normalmente dormimos, pois queríamos descansar. Ficaríamos mais um dia em Ushuaia, passeando de forma tranquila pelo seu centrinho e visitando o museu do presídio. Amanheceu com o céu escuro e fechado e um frio cuja a sensação térmica era próxima de zero. Adelaide foi atrás de uma “panederia” para comprar pão para o café da manhã. Durante a noite fizeram companhia ao Yete mais um MH Alemão e outro Francês, se juntando ao americano que já lá estava. Conhecemos a família Francesa que adquiriu aqui na América do Sul seu Motor Home de outro conterrâneo francês. Estavam já a 18 meses viajando pelo continente, tendo ficado 3 meses pelo Brasil. Um casal e dois filhos, um de 10 e outro de 7 anos. Diferente do Brasil, que ainda possui um ranço do estado super provedor, estes países Europeus permitem, dentro de critérios e escolas credenciadas, que seus filhos sejam educados na estrada ou mesmo em casa, metodologia chamada Homescholling ou Roadscholling. No Brasil, a esquizofrenia do ente público e o corporativismo, somados a uma arrogância intelectual dos especialistas do meio, não possibilitam esta metodologia, impedindo que a legislação avance. Imaginem o quanto estas crianças, podem relacionar o conhecimento teórico com as experiências vividas nas estradas. Consigo ter uma ideia do poder de aprendizagem nestas curtas janelas de viagem que temos. O quanto as crianças apreendem na prática diversos assuntos de inúmeros campos de conhecimento. Saímos um pouco antes do meio dia a caminhar pelo centrinho de Ushuaia, com suas lojas de suvenirs, restaurantes, agências e cafés. Tudo preparado para angariar do turistas, incluindo nós, deslumbrados com o meio. Almoçamos um um restaurante italiano chamado Villagio, sendo sua especialidade Centoullas, uma lagosta enorme, que era exposta viva em um aquário na vitrine do restaurante, aguardando o cliente escolher uma para o seu deleite. Os meninos, especialmente o Artur, ficaram muito impressionados com estes grandes animais. A pergunta era se esta centoulla seria o “Siri Cascudo”, chefe do “Bob Esponja”, personagem do desenho animado que eles curtem demais. Após o almoço fomos até o museu do presídio, e também museu marinho de artes e antártico, estando todos estes neste complexo de galerias dispostas em forma de estrela. Museu do presídio por exatamente ser o antigo presídio de Ushuaia, onde os detentos de média e alta periculosidade eram trazidos e colocados à trabalhar na extração de madeiras. O complexo prisional impressiona, como também as diversas histórias relacionadas a este tempo. Hoje esta fortaleza não mais tem a função de aprisionar, mas sim de libertar conhecimento, arte e cultura. Muitíssimo interessante e recheadíssimo de história esta exposição. Merece um dia de visita com vagar e sem a impaciência das crianças. Em 2008 já havia achado o máximo, e voltei a me surpreender. Um gosto de quero mais ficou. Ainda quero voltar. Após a visita, momento para darmos uma espiadela em algumas lojas de suvenir e eu especialmente adquirir os livros que no caminho de ida ia selecionando (infelizmente ou felizmente tenho este vício, incontrolável: a curiosidade, só saciada ou melhor, aumentada, com a leitura); também compramos duas placas para ornar nossa garagem: uma alusiva a Ruta 03, e outra alusiva a Ruta 40, além de uma bandeira da Terra do Fogo, para incrementar nossa coleção de bandeiras, outra fonte de conhecimento e estudo. O passeio que havia começado as 11:00 da manha terminou às 21:30, com o sol ainda alto (aqui se põe as 23:00, ou seja, inicia 5:45 e se põe as 23:00, ou seja, 17 horas de luminosidade e as 4 estações em um dia, com a possibilidade de neve no verão). Fomos dormir felizes com o ótimo, leve e divertido dia que tivemos. O clima e a temperatura também ajudaram muito, estando agradabilíssimo e o céu azul, após um amanhecer escuro e gelado. Um friozinho gostoso com o solzinho nos davam aquela sensação de bem estar.

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