14° dia - 09/01/19

14° dia - 09/01/19
Rio Gallegos a Rio Grande (Terra do Fogo)
Quilometragem Parcial: 376 km
Quilometragem total acumulada: 5.168 km



Hoje nosso primeiro dilema era decidir qual rumo tomar. Nossa intenção primeira enquanto projeto de viagem era percorrer a Ruta 40 do seu km 0 em Cabo Virgenes a La Quiaca, cidade fronteiriça com a Bolívia, onde completa seus 5200 km. Já sabíamos ser quase impossível fazê-la toda nesta viagem, em função da janela dias de minhas férias. Então talvez pudéssemos percorre-lá este ano até a sua metade em Mendoza. Porém também estávamos perto do “fim do mundo”, Ushuaia. Não mais do que 500 km nos separavam desta cidade da Terra do Fogo. Então, embora já conhecêssemos o “fim do mundo”, as crianças se interessavam em saber como esta estrada que estávamos percorrendo já a dias terminava. Soma-se a isto o fato de então já termos constatado que não conseguiríamos percorrer a Ruta 40. Decisão tomada: O projeto Ruta 40 ficará para uma próxima empreitada, quando a faremos de norte a Sul. Concluímos ser este o caminho mais viável para conseguir completa-la. Resolvemos então repacutar nossos planos (possibilidade já a aventada desde o início de nossa viagem) e rumarmos a Ushuaia. Isso significaria, atravessar duas vezes a fronteira entre Argentina e Chile e também atravessar de balsa o estreito de Magalhães. Portanto o dia seria longo e cansativo. Rumamos a Terra do Fogo. Um pouco antes do Passo Internacional, desviamos alguns poucos km para mostrarmos as crianças um vulcão que é facilmente acessível. Trata-se da Laguna Azul, pois no seu interior hoje guarda uma linda lagoa de coloração azulada. Mesmo de pouquíssima altura de quem o vê de fora, sua cratera já causa espanto. E a muito as crianças vinham falando em conhecer um vulcão. Valeu muito a pena, pois ambos ficaram muito impressionados. Vale a pena e não se perde muito tempo, pois não está distante mais do que 5 km (asfaltados) da Ruta 03. Interessante não só ver sua cratera, mas os vestígios da lava que dele correu e se espalhou no entorno. Muito visível e ainda na coloração preta, como um carvão. Na volta a ruta, chamou a atenção do Artur um esqueleto de Guanaco (acho que será um paleontologista, kkkk). Paramos para vê-lo. Ao entrar no acostamento o MH afundou. Pensei que teria que pela primeira vez na viagem usar a tração. Felizmente não foi necessário, mas mais um alerta dos perigos muitas vezes escondidos nos acostamentos destas estradas. Requer muita atenção e cuidado. O Fóssil de Guanaco continha no seu inteiro o resto de alimento ruminado, o que também causou curiosidade no Artur. São estas pequenas experiências que somam agregação de conhecimento. Por isso dedico tempo quando eles demonstram interesse em algo que desperte também mais curiosidade e pesquisa. Na Aduana do Chile, a primeira inspeção. Todo o carro é revisado para que não se entre no Chile com alimentos. Não lembramos de declarar os restantes das cerejas compradas em Puerto Madry, e estavam bem a vista. A fiscal ficou tão preocupada em olhar armários, compartimentos e outros locais “suspeitos”, que não viu nossas cerejas. Isto que a caixa não era nem um pouco discreta. Ufa, cerejas salvas. Quilômetros após, chegamos ao estreito de Magalhães e imediatamente, sem espera conseguimos embarcar no Ferry (balsa). Totalmente diferente de nossa experiência de 2008, cujo vento nos impediu de entrar. Somente a noite conseguimos atravessar. No lado oposto, já na Terra do Fogo, almoçamos na pequena cidade de Cerro Sombrero, que foi nosso pouso em 2008. Seguimos viagem por um ótimo asfalto Chileno, de dar inveja aos pavimentos europeus, não só na qualidade da pavimentação, como sinalização e espaços de descanso. Sensacional. Em 2008, foram 130 km do mais legítimo Rípio, de motocicleta. Hoje, exceção feita ao espaço entre as aduanas do Chile e Argentina, tudo um tapete. Na entrada da Argentina, nova revista. Agora estavam em busca de Drogas. Levou um bom tempo, pois as revistas dos carros em nossa frente foram minuciosas e acabaram demorando. Quando chegou nossa vez, o soldado mal entrou no MH e mandou seguir. Continuamos nossa viagem até a cidade de Rio Grande, as margens do oceano. Rio Grande está exatamente na altura das ilhas Malvinas. E mesmo que em toda a Argentina exista através de placas e manifestações enunciado que as Malvinas são Argentinas, a cidade que mais ostensivamente estabelece uma forte lembrança e homenagem a guerra das Malvinas e aos mortos, é a cidade de Rio Grande, na Terra do Fogo. Talvez por ser a base de comando e operação durante a guerra. Pousamos em um posto YPF de frente para praia e nos aquecemos com uma saborosíssima galinhada. Noite tranquila e silenciosa. 220 km nos separavam do “fim do mundo”.

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