Patagônia - 5° dia - 31/12/18 (1° Parte)

5° dia - 31/12/18 - 1º Parte. 
Uribelarrea a Cnel Pringles

Partimos cedo do pitoresco Pueblo de Uribelarrea e optamos pela ruta 43, pois passaria pela cidade de Lobos, que me causava curiosidade pois se trata da cidade natal do mais famoso presidente Argentino, Juan Pablo Peron. A ideia era ver se não havia nada de curioso a respeito deste fato nesta cidade. Constatamos que fora uma placa que infelizmente não fotografamos na entrada da cidade,fazendo menção a este fato, a outra referência era uma simples indicação de forma muito discreta e não clara a casa Natal de Peron, hoje transformada em museu. Não a encontramos. Seguimos viagem pela ruta 43 que nos levaria a Ruta 03, sendo que nesta tivemos momentaneamente nosso deslocamento interrompido pelo fechamento da via em função da passagem do trem sobre os trilhos que cortavam a rodovia. Terminada a Ruta, chegamos ao entroncamento da Famosíssima Ruta. Nacional 03 (RN3), que nos seus 3074 km que se iniciam em Buenos Aires, tem seu final na Baia de Lapataia, no Parque Nacional Terra do Fogo em Ushuaia, onde termina. Não por menos que se apelida o local de fim do mundo por ser o ponto mais Austral do planeta possível de ser atingido por veículo doméstico. É claro ser esta alegoria um exagero, pois atravessando o canal Beagle que banha a baía de Lapataia e a cidade de Ushuaia, alcança-se a Chilena Puerto Williams, está sim a cidade mais Austral do planeta. Fora ela, somente ilhas George ou a própria Antártica. Fiz uma parada no acostamento do km 141 da RN3 para gravar um pequeno comentário sobre esta mítica Ruta. Na função de instalar o equipamento para esta filmagem, não percebi um buraco camuflado no acostamento onde acabei caindo e afundando a perna até quase a cintura. Um perigo escondido nas margens da rodovia que podem causar acidentes mais sérios ao veículo que precisa usar o acostamento. Portanto atenção. Procurem somente estacionar onde enxergam o piso. Acostamento gramado (comum na Argentina), embora possa parecer utilizável, pode esconder estas armadilhas que observei adiante, existirem maior número. Seguimos viagem até Las Flores onde paramos em um YPF (posto de combustível) que em 2008 também havíamos parado, porém de moto. Lá o Artur repetiu um churros a moda Argentina, que na noite anterior o havia conquistado. Saciado o desenho do nosso parceirinho, seguimos até Azul, onde pararíamos para providenciar mantimentos. Além disto, meu objetivo era conhecer a “La Posta del Viajeiro en Moto”, e o Sr. Jorge, seu Proprietario. A “Posta” é um conhecidíssimo local que acolhe viajantes, especialmente motoviajantes a já mais de 35 anos. Conhecida no mundo todo, o que faz com que viajantes de todas as partes do planeta lá parem e pernoitem. O local está cravado de infinitas histórias, assim como adesivos, placas de motos, bandeiras de varias nacionalidades. Infelizmente o Sr. Jorge e tão pouco qualquer familiar não estava em casa, o que impossibilitou de conhecer “La Posta” no seu interior. Imagino cada significado, cada história, dos vários adesivos e suvenirs deixados pelos Viajeros, além do incrível livro de presença, única contrapartida solicitada pelo Jorge que não cobra qualquer centavo pela estadia do viajante. Mas encontramos o Sr. Santiago, vizinho de frente da “Lá Posta”. Falante e muito amável, nos contou inúmeras histórias da La Posta, e também de sua vida, como por exemplo o nome de sua moto, Blanca Neves, dado em homenagem a sua esposa falecida a menos de 3 anos. Conta sobre ela com o olhar carregado de tristeza, mas diz, “-precisei seguir...”. Santiago também contou uma trágica mas comovente história da “La Posta”. Um motociclista Japonês que um dia lá parou, firmou uma intensa amizade com Jorge. Viajante intrépido, em uma de suas viagens, se perdeu em um deserto, cujo local Santiago não sabia precisar, provavelmente em função de uma tempestade de areia. Infelizmente esta foi a última viagem deste Viajero que já havia acumulado kms ao redor do Mundo, pois não encontrou a saída do terrível deserto. Lá ficou perdido por 4 anos, até seu corpo ser encontrado. O “casco”, seu capacete, foi presenteado pelos seus pais, ao Jorge, em função do quanto ele o ajudou e o acolheu. A amizade de Jorge com o viajante marcou profundamente a memória afetiva da família. Amizade construída a partir da solidariedade, o espírito de “La Posta del viajero”. Hoje o capacete encontra-se exposto em uma redoma de vidro, neste santuário do viajante e da amizade. Santiago, com o coração enorme, ainda fez a gentileza de nos convidar a passar a noite de ano novo com sua família. Nos despedimos, pois ainda tínhamos muito chão, desejando a ele vida longa e que a dor da saudade de sua querida Blanca, pudesse um dia ser amenizada.

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