Patagônia - 5° dia - 31/12/18 (2° Parte)

5º Dia - 31/12/18 - 2º Parte. 
Uribelarrea a Cnel Bringles

Seguimos nossa viagem nos despedindo do amável Santiago, optando por acessar a Ruta 51, paralela no sentido Sul a Ruta 03, com a pretensão de rodar o máximo possível, já conscientes que não alcançaríamos Bahia Blanca. Também não estávamos com intenção de ser ela nossa parada para pernoite por se tratar de uma cidade grande e portanto com os riscos inerentes à está condição. No desenrolar da viagem visualizamos a cidade de cel Bringles (sim o mesmo nome das famosas batatas fritas), como possibilidade de pernoite. Eu não estava levando muita fé e pensava ser ela uma cidade muito mal cuidada e feia. Ao menos esta foi a minha expectativa. Não constava em guia algum e o próprio GPS não ampliava seu traçado (sua planta baixa). Lá chegando, logo na entrada, nos deparamos comum suntuoso Cemitério, sinalizando que o local já havia sido ou era composto por pessoas de muitas posses. Fomos adentrando a cidade, meio céticos ainda, porém ao alcançarmos a avenida central, nos deparamos com um cidade limpa, nova e organizada. Chegando a praça central, ainda maior a supresa com o tamanho, beleza e arborização. Esta praça, é considerada (ao menos por seus moradores, hehehe), a mais bonita do interior da província de Buenos Aires. Toda em arte Decó, tem no seu centro a Intendência municipal (prefeitura). Creio que o cemitério também seja obra do mesmo arquiteto. Mal estacionamos e abordamos o fiscal de trânsito, já notamos que se tratava de uma cidade extremamente hospitaleira. Solicitei se poderíamos ali estacionar e pernoitar no que tranquilamente fomos acolhidos com muita simpatia. Mais uma volta na praça para a escolha do local, e antes de desligar o MH, mais uma abordagem de um morador, Sr. Sérgio Rey, pedindo se precisávamos de algo, oferecendo sua casa, e nos dando todas as dicas de locais para conhecer no entorno. Muito curioso quanto a nossa viagem, ficou um bom tempo conversando. Logo, outro casal chega e também nos recebe de forma muito acolhedora. Casal este que pretende em 2019 viajar até o Alasca. Mais tarde, este mesmo casal voltou ao MH e nos presenteou com uma espumante, panetone e um bolo inglês. A noitinha, mais uma abordagem, de outro simpático morador, o Sr. Oscar Sorribas, convidando insistentemente para passarmos a virada de ano com sua família, o mesmo vez o Sr. Sérgio Rey, o primeiro morador a nos abordar e Santiago nosso novo amigo da cidade de Azul. Nos impressionamos com a simpatia, amabilidade e acolhimento desta cidade. Por hora ganhou o troféu de cidade mais querida. Último dia do ano e passaríamos ali nossa virada. Adelaide preparou a tradicional lentilha, gelamos nossas mini champanhes compradas em Rivera, fizemos e enviamos nossas mensagens e comemoramos a virada com uma bela buzinada. Muito bom estarmos todos juntos na virada, curtindo o que mais gostamos de fazer. Foi ótimo e não nos esquecermos deste dia e das pessoas incríveis da cidade de Cel Bringles.

Patagônia - 5° dia - 31/12/18 (1° Parte)

5° dia - 31/12/18 - 1º Parte. 
Uribelarrea a Cnel Pringles

Partimos cedo do pitoresco Pueblo de Uribelarrea e optamos pela ruta 43, pois passaria pela cidade de Lobos, que me causava curiosidade pois se trata da cidade natal do mais famoso presidente Argentino, Juan Pablo Peron. A ideia era ver se não havia nada de curioso a respeito deste fato nesta cidade. Constatamos que fora uma placa que infelizmente não fotografamos na entrada da cidade,fazendo menção a este fato, a outra referência era uma simples indicação de forma muito discreta e não clara a casa Natal de Peron, hoje transformada em museu. Não a encontramos. Seguimos viagem pela ruta 43 que nos levaria a Ruta 03, sendo que nesta tivemos momentaneamente nosso deslocamento interrompido pelo fechamento da via em função da passagem do trem sobre os trilhos que cortavam a rodovia. Terminada a Ruta, chegamos ao entroncamento da Famosíssima Ruta. Nacional 03 (RN3), que nos seus 3074 km que se iniciam em Buenos Aires, tem seu final na Baia de Lapataia, no Parque Nacional Terra do Fogo em Ushuaia, onde termina. Não por menos que se apelida o local de fim do mundo por ser o ponto mais Austral do planeta possível de ser atingido por veículo doméstico. É claro ser esta alegoria um exagero, pois atravessando o canal Beagle que banha a baía de Lapataia e a cidade de Ushuaia, alcança-se a Chilena Puerto Williams, está sim a cidade mais Austral do planeta. Fora ela, somente ilhas George ou a própria Antártica. Fiz uma parada no acostamento do km 141 da RN3 para gravar um pequeno comentário sobre esta mítica Ruta. Na função de instalar o equipamento para esta filmagem, não percebi um buraco camuflado no acostamento onde acabei caindo e afundando a perna até quase a cintura. Um perigo escondido nas margens da rodovia que podem causar acidentes mais sérios ao veículo que precisa usar o acostamento. Portanto atenção. Procurem somente estacionar onde enxergam o piso. Acostamento gramado (comum na Argentina), embora possa parecer utilizável, pode esconder estas armadilhas que observei adiante, existirem maior número. Seguimos viagem até Las Flores onde paramos em um YPF (posto de combustível) que em 2008 também havíamos parado, porém de moto. Lá o Artur repetiu um churros a moda Argentina, que na noite anterior o havia conquistado. Saciado o desenho do nosso parceirinho, seguimos até Azul, onde pararíamos para providenciar mantimentos. Além disto, meu objetivo era conhecer a “La Posta del Viajeiro en Moto”, e o Sr. Jorge, seu Proprietario. A “Posta” é um conhecidíssimo local que acolhe viajantes, especialmente motoviajantes a já mais de 35 anos. Conhecida no mundo todo, o que faz com que viajantes de todas as partes do planeta lá parem e pernoitem. O local está cravado de infinitas histórias, assim como adesivos, placas de motos, bandeiras de varias nacionalidades. Infelizmente o Sr. Jorge e tão pouco qualquer familiar não estava em casa, o que impossibilitou de conhecer “La Posta” no seu interior. Imagino cada significado, cada história, dos vários adesivos e suvenirs deixados pelos Viajeros, além do incrível livro de presença, única contrapartida solicitada pelo Jorge que não cobra qualquer centavo pela estadia do viajante. Mas encontramos o Sr. Santiago, vizinho de frente da “Lá Posta”. Falante e muito amável, nos contou inúmeras histórias da La Posta, e também de sua vida, como por exemplo o nome de sua moto, Blanca Neves, dado em homenagem a sua esposa falecida a menos de 3 anos. Conta sobre ela com o olhar carregado de tristeza, mas diz, “-precisei seguir...”. Santiago também contou uma trágica mas comovente história da “La Posta”. Um motociclista Japonês que um dia lá parou, firmou uma intensa amizade com Jorge. Viajante intrépido, em uma de suas viagens, se perdeu em um deserto, cujo local Santiago não sabia precisar, provavelmente em função de uma tempestade de areia. Infelizmente esta foi a última viagem deste Viajero que já havia acumulado kms ao redor do Mundo, pois não encontrou a saída do terrível deserto. Lá ficou perdido por 4 anos, até seu corpo ser encontrado. O “casco”, seu capacete, foi presenteado pelos seus pais, ao Jorge, em função do quanto ele o ajudou e o acolheu. A amizade de Jorge com o viajante marcou profundamente a memória afetiva da família. Amizade construída a partir da solidariedade, o espírito de “La Posta del viajero”. Hoje o capacete encontra-se exposto em uma redoma de vidro, neste santuário do viajante e da amizade. Santiago, com o coração enorme, ainda fez a gentileza de nos convidar a passar a noite de ano novo com sua família. Nos despedimos, pois ainda tínhamos muito chão, desejando a ele vida longa e que a dor da saudade de sua querida Blanca, pudesse um dia ser amenizada.

Patagônia - 4° dia - 30/12/18

4º dia - 30/12/18
Salto (Termas de Daiman) - Uruguai à Uribelarrea (Cañuelas / Argentina)
Quilometragem Parcial:  520,1 km
Quilometragem Total: 1.463,3 km

Noite muito bem dormida. Somente despertamos em função do barulho de uma ventania, preludiando uma forte tormenta. Já era manhã e portanto levantamos e recolhemos a roupa lavada no dia anterior e estendida no varal que instalamos. Recolhemos também fio de luz e os calços do MH. A chuva veio forte e refrescante. Tomamos nosso café, faxinamos como sempre o MH e seguimos viagem nos despedindo deste simpático lugar. Na fronteira com a Argentina, pouco movimento e trâmites muito rápidos. E por incrível que pareça com um fiscal aduaneiro muito simpático. Seguimos até alcançarmos a ruta 14, que corta a província de Entre Rios, até Buenos Aires. Gostaríamos de ultrapassar a altura de Buenos Aires, e seguimos tranquilo no ritmo do Yete. Uma parada para almoço