6° Dia (2° Parte) - Relembrando a Ruta 03 e descobrindo uma cidade Galesa

MISSÃO CARRETERA AUSTRAL
6º Dia (2º Parte) = 17/01/2017
Trajeto = La Loberia (AR) - Gaiman (AR)
Quilometragem =  565 km
Pernoite = As margens da praça Central da Cidade de Gaiman

Após este momento mágico junto a este santuário de Lobos Marinhos, retomamos nossa viagem e ingressamos na nossa velha conhecida ruta 03. Avançávamos por ela, lembrando nossa viagem de 2008, quando à percorremos com uma motocicleta Falcon, carregada de bagagem, estando eu como piloto e a Adelaide como Garupa. Foi nossa primeira grande viagem de moto, alguns meses após eu ter apreendido a pilotar. Olhando, com o olhar de hoje para este feito, concluo quase como inacreditável ter pensado e realizado esta viagem naquelas condição de pouquíssima experiência. Porém mais uma vez concluo também, que o impossível é apenas um paradigma que insistem em fazer a gente acreditar, e que serve para limitar e tolher nossos sonhos e projetos. 
Em 2008 em nossa viagem percorrendo a Ruta 03, neste trecho, fizemos uma brincadeira, tirando um foto diferente, onde eu me deitava no meio do asfalto, emoldurado pela imensidão da patagônia marítima e tendo as infinitas retas da Ruta 03 como palco. A nossa moto Catarina ao lado, paciente esperando e assistindo as peraltagens de dois viajantes tomados de felicidade pelo quanto de descoberta estavam realizando, tanto "extrinsecamente" nas incríveis e diferentes paisagens que se descortinavam, como também "intrinsecamente", no íntimo e no emocional. Agora em 2017, resolvemos repetir a peraltagem. Tudo igual, mas tudo diferente, mais uma provocação da estrada a uma reflexão filosófica. A mesma ruta 03, a mesma imensidão patagônica, o mesmo céu, azul, mas todos diferentes. Assim, como nós, eu, Adelaide, com mais dois seres humanos nos acompanhando e um novo companheiro de viagem, o "Bee" a nos levar por este mundo lindo. Também nesta viagens novas descobertas extrínsecas e intrínsecas. Conseguimos percorrer 175 km e aproximadamente 2 hrs de viagem, até o entroncamento da Ruta 03, com a Ruta 251, onde há uma grande Rotatória, que leva também a cidade portuária de San Antonio Oeste, cujo porto já pode ser avistado de longe pela Rodovia. Uma cidade com uma baía interessante, se avistada de longe ou pelo google maps, o que me deixava curioso em conhecê-la, mas não estava em nossos planos, pois era necessário priorizar. Em uma "Estacion de Servicio" as margens desta rotatória estacionamos para almoçarmos e sestiarmos (ao menos o motorista). O vento já começava a se apresentar e levantar poeira no estacionamento de chão empoeirado deste posto de combustível. Após o almoço, seguimos viagem, pedindo benção ao Gauchito Gil, que naquele local, na margem oposta da rodovia, contava com um imenso santuário em sua honra. Seguimos nosso rumo, discutindo onde seria nossa parada para pernoite, pois nosso objetivo no dia seguinte era o museu paleontológico de Trelew. Passaríamos por Puerto Madryn, porém optamos por não ficar. Queríamos chegar mais próximo possível de Trelew. Porém também não queríamos lá pernoitar por ser uma cidade relativamente grande, o que trazia evidentes riscos de um pernoite. Resolvemos então, andar 15 km adiante da cidade de Trelew, pela ruta 25 onde o guia de viagem mencionava uma pequena cidade de apenas 7 mil habitantes, colonizada por Galeses. Resolvemos que lá seria nosso pouso. A cidade era Gaiman e nos surpreendeu por ser tão pitoresca e agradável. As margens do Rio Chubut, quase que um Oásis no já predominante deserto da Patagônia. Cercada por morros de Areia ao longe da Ruta 25, Gaiman era um oásis, uma cidade Arborizada, muito organizada, e com casinhas típicas Galesas, convidando para o "Tea", ou chá. Uma curiosidade e surpresa para nós, que não sabíamos até ali, que a região fora colonizada por imigrantes Galeses. Eu me perguntava os motivos que faziam ainda no século retrasado, imigrantes virem se assentar em um lugar tão longínquo, inóspito e difícil, com tão poucos recursos e ainda hoje de imensos desafios para a sobrevivência? Realmente um fato curioso, que requeria pesquisa e leitura para sua resposta. Para os interessados, segue o link para um maior aprofundamento do tema. Procuramos um mercado para fazer o abastecimento de mantimentos, onde recebemos as boas-vindas à Gaiman pelo proprietário. Após, percorrermos as ruas da cidade em busca de um local para "fincarmos" nossas "ancoras", escolhendo ficar ao lado da bem arborizada praça central da cidade. Dali, enquanto a Adelaide preparava nosso jantar, fui até a "pracinha" da cidade, algumas quadras adiante, muito bem equipada, com um escorregador gigante que não me encorajei a experimentar, ainda mais quando vi uma moradora local escorregar com muita velocidade, agravada pelo seu peso avantajado, e bater forte a cabeça, passando mal após o ocorrido. Evidentemente que proibi também o Artur de fazê-lo. Após a seção brincadeiras e de re-batizar o gigante escorrega de "Escorrega Assassino" voltamos ao "Bee", para jantarmos nosso maravilhoso, mas de longe inovador cardápio de massa com frango, para então nos recolhemos com uma boa sensação de segurança que a cidade nos dava, e um pouco mais de conteúdo e conhecimento que a viagem nos proporcionava.







Na foto dois momentos no mesmo local da Ruta 03. A esquerda, tirada em 2008, a direita, tirada em 2017. "Tudo igual, mas tudo diferente", filosofia da estrada.