5° Dia - A cidade afogada e o reencontro com a Patagônia

MISSÃO CARRETERA AUSTRAL
5º Dia = 16/01/2017
Trajeto = Carhué (AR) - Viedma (AR)
Quilometragem =  465 km
Pernoite = Avenida Beira Rio, as margens do Rio Negro

A ideia era tomarmos nosso café da manhã junto as ruínas de Epicuen. Não distante mais do que 5 km do centro de Caruhé. Buscamos antes, junto ao centro de informações turísticas, mais subsídios sobre esta região de águas termais. Dali, nos deslocando até este sítio tão interessante e instigante  que são a ruínas do antigo balneário de Epicuen. Começamos a ver o quanto esta paisagem se tornou única pelo alagamento de águas absolutamente salobras. As árvores mortas hoje parecem artificiais, com seus troncos e galhos secos, brancos, parecendo petrificados. O sal do lago Epicuen não deixando a vida se criar. Porém mesmo assim a natureza através de bandos de flamingos e patos nativos da região nos saudava pelo caminho. Chegando a entrada da cidade fantasma, buscamos um local com sombra para nosso café da manhã. Estacionamos
a sombra de grandes eucaliptos em uma estrada
deserta e ao lado de uma capela vermelha em honra a Gauchito Gil, este santo tão curioso e popular da Argentina. Mostrei o Gauchito aos meninos, e expliquei um pouco de sua história. Após nosso café da manhã, nos deslocamos até a entrada da cidade morta de Epicuen. Pagamos o ingresso e começamos nossa descida pela avenida principal. Interessante ver os resquícios na forma de ruínas de uma cidade que parou por força de seu rápido alagamento, nos anos 80. Normalmente vemos ruínas de cidades antigas, diferente dali, onde víamos panelas enferrujadas, casas e prédios atuais em destroços, vida que poderia ser a nossa, agora destruídos pela força de uma grande inundação. O Clube, as margens do lago, ainda mostrava parte do trampolim da piscina para fora d'agua. Uma caixa d'água neste mesmo clube, parcialmente submersa, nos mostrava até onde a inundação alcançou altura. As águas do lago Epicuen absolutamente paradas, como um grande espelho. Realmente uma paisagem completamente diferente do já vimos até hoje. Rendeu muitas fotos interessantes. Retornando, tomei uma rua lateral, onde restos de uma capela mostravam vitrais de suas janelas agora enferrujados, parte da rua salinizada pelo extremo sal do lago que recuava aos poucos. Árvores de caules
lenhosos e retorcidos (talvez tivessem sido oliveiras), faziam moldura para nossas fotografias. Um carro completamente enferrujado e parcialmente enterrado, jazia na calçada, completando um garimpo de curiosidades. A vida paralisou em Epicuen. Nos despedimos deste local curioso e interessante, para rumarmos para a nossa já conhecida Ruta 03, onde ingressaríamos na Patagônia Argentina. A medida que nos deslocávamos em direção a Bahia Blanca, a paisagem começava a mudar, de plantações de girassóis para campinas e pradarias, para então extensões de vegetação rala e seca. Já conhecia esta paisagem e começava a me emocionar com o reencontro. Ingressando na Ruta 03, foi como se as lembranças de nossa "Viagem ao Fim do Mundo" se reavivassem com ainda mais força. Que trecho bacana e nostálgico foi este. Nos lembrávamos de tudo que fizemos, onde paramos, onde tiramos fotos, quem encontramos, e claro novos elementos se juntavam a este enredo.
Em dada altura, lembrei de um posto de gasolina que paramos e onde afixamos um adesivo de nossa viagem ao fim do Mundo. Lá na época havíamos encontrado um caminhoneiro brasileiro com quem conversamos um bocado. Parei com a intenção de ver se nosso adesivo ainda lá estava. Adesivo que havia sido afixado em 2008. Qual não foi minha surpresa e grande emoção quando constatei, que lá estava ele, um pouco desbotado, mas marcando presença e registro uma história de superação e coragem, que foi nossa viagem naquela ocasião. Nove anos depois, agora de Motor Home, com dois filhos, estávamos lá novamente saudando nossa história. Quem sabe mais adiante, quando nossos filhos e netos empreenderem suas viagem possa estar este registro ainda lá marcando posição e emocionando e despertando sensações também neles. Afinal viajar, mais do que conhecer, é
colecionar sensações, sentimentos e emoções, mesmo as mais singelas. A propósito são estas que ocupam a nossa memória afetiva. Continuamos nossa viagem decidindo que pernoitaríamos na cidade de Viedma, as margens do Rio Negro, no lado oposto deste importante Rio que corta a patagônia, como um espelho, a cidade de Carmem de Patagones. Já chegamos a tardinha, observando no horizonte Patagônico o sol se pondo. Na Patagônia a linha do horizonte e o seu pôr do sol ganham outro significado pela sua extensão e exuberância (É inexplicável). Entrando em Viedma, que também foi ponto de
visita da viagem de 2008, constatamos o intenso movimento da cidade, por conta de ser um destino turístico. Andamos pela Avenida muito bem arborizada e cuidada que margeia o Rio Negro e encontramos um ponto para estacionar de forma oblíqua o nosso "Bee" no canteiro central da avenida. Motor Home instalado, fomos eu e os meninos atrás da pracinha (rotina diária de nossa viagem). Quando retornamos, o jantar de "massinha" já sendo encaminhado. Jantamos, estando a noite agradável e festejando o dia de interessantes experiências que tivemos.