O Buquebus e a entrada na Argentina

MISSÃO CARRETERA AUSTRAL
4º Dia = 14/01/2017
Trajeto = Colônia do Sacramento (UR) – Carhué (AR)
Quilometragem = 62 km da travessia de Ferry Boat entre Colônia do Sacramento e Buenos Aires, e 540 km de Buenos Aires a Carhué.
Pernoite = Praça Central da cidade de Carhué.

Hoje seria o dia de ingressarmos na Argentina, através de um meio e um caminho não feito ainda por nós. Faríamos a travessia do Rio da Prata através do famoso Ferry Boat da empresa Buquebus. Nosso horário estava previsto para as 10:00, porém deveríamos estar no porto 1(uma) hora antes do horário de partida, para as providências de embarque e manobra do veículo. Despertamos cedo e novamente levamos nosso Motor Home para a área verde as margens do Prata. Acordamos as crianças, fizemos nossas torradas como café da manhã e nos dirigimos ao porto, bem próximo dali. Ingressamos e o funcionário nos pede para colocar o Motor Home junto a duas motos, pois seríamos os últimos a embarcar, por conta do tamanho do Motor Home. Somente o motorista pode manobrar o veículo para dentro do Ferry, o restante dos passageiros ingressa na embarcação pelo terminal de passageiros, caminhando. Estacionamos no local indicado e nos dirigimos ao terminal de passageiros para as providencias de check-in, aduana e imigração, pois ao passar por estes trâmites, mesmo em território Uruguaio, já oficialmente entramos na Argentina.

Após estes trâmites burocráticos, já tentando encontrar o caminho para o embarque dos passageiros e do motorista do veículo, alguém nos chama. Era a Gládis, esposa do Eliseu, casal amigo que conhecemos lá em Rio Grande em um almoço na casade nossos amigos Serra e Manja. O Eliseu e a Gládis  tem um grande e invejável currículo de viagens de moto. Também encontramos eles no Peru em Puno, por ocasião da viagem quefizemos a este país em 2010, encontro este que também regado a muita emoção Nesta data eles viajavam também com o Serra e a Manja. Uma das motos onde estacionei o “Bee” ao lado, era justamente do casal. Lá já estava o Eliseu e mais um motociclista. Eliseu estava também viajando para a Carretera Austral e o outro motociclista , o Luis, que pretendia chegar a Ushuaia (Ele se mostrava um pouco preocupado com a possibilidade de encontrar rípio, uma vez que estava com uma Custom, não adequada para este tipo de terreno). Embarcamos cada qual no seu veículo, eu, em um Motor casa, e eles em suas motos, e pensava o quanto é incrível a viagem de moto. Neste momento me invadiu uma grande nostalgia dos tempos que viajávamos eu e a Adelaide de moto por esta América. Mas agora os tempos são outros, diferentes, também muito felizes, com a alegria de termos a parceria destes nossos dois pequenos aventureiros.
Aqui um pequeno Vídeo da Manobra do "Bee" para o interior do Buquebus:

No tempo de aproximadamente 1 hora da travessia, conversamos muito com o casal, onde buscamos deles diversas dicas, uma vez que já haviam viajado para a Carretera e possuíam grande experiência por estas bandas. Foi muito agradável e revigorante este encontro, como sempre são os encontros com estes e outros intrépidos viajantes. O tempo é curto para tanta troca de experiência.

Chegando em Puerto Madero, Buenos Aires, uma vez que fomos os últimos a embarcar, fomos também os primeiros a desembarcar. A vigilância de entrada na Argentina não revistou o Motor Home. No estacionamento do porto, estacionamos ao lado de um grande veleiro da marinha Argentina para esperar o Eliseus, a Gládis e o Luis, para as despedidas finais, quem sabe alguma combinação, e os tradicionais e necessários registros fotográficos.

Aos nos despedirmos, disse ao casal Gládis e Eliseu, que este seria a primeira de muitas outras despedidas, pois nos reencontraríamos pela estrada (Será ????).

Cada aventureiro seguiu o seu caminho. Nós, despreocupados até ali, não nos demos conta do tamanho desta metrópole e não havíamos preparado nossos GPS. Pedimos uma rápida informação na sinaleira para um taxista, e entendemos que esta seria suficiente para pegarmos a ruta a Carhué nosso pretendido destino do dia. É claro que nos perdemos. Este erro nos custou aproximadamente 40 minutos e acredito que também uns 30 a 40 km a mais. Um simpático policial em um dos pedágios deste trecho que nos perdemos nos explicou uma alternativa. Em recompensa ganhou adesivos de nosso projeto. Optamos pelas indicações  do google maps (agora já em funcionamento), diferentes da do policial (este último indicava um caminho adiante e o google nos indicava retornar, para então corrigir a rota). Seguir as orientações do google maps foi a mais acertada e não nos deixou na mão, nos levando para o ruta 2,


para então na altura de Canuelas (cidade que foi nosso pouso na viagem a Ushuaia em 2008), pegarmos a ruta 205, até Carhué. Antes de Canuelas, e após diversos pedágios, paramos para abastecer nosso “Bee” de combustível e água, pois não sabíamos como seria dali para frentea oferta de “Estacion de Servicios”. Em Canuelas passamos em frente ao péssimo e horrível hotel que pousamos na viagem de 2008 (e as lembranças começavam de forma agradável e feliz a retornar. Sensação nostálgica que acessa nossa memória afetiva ). Pegamos um pouco de chuva e frio no caminho. Uma necessária parada para um lanche com a crianças em uma “estacion de servicio” (posto de combustível YPF) e seguimos firmes nossa viagem, pois o trajeto ainda era longo.

Chegamos ao trevo de acesso ao município de Carhué já com o sol começando a declinar. Ainda
conseguimos percorrer a cidade para nos informarmos sobre um restaurante para jantar ou mesmo alguma mercearia que nos vendesse mantimentos. Encontramos esta última, e a Adelaide comprou os mantimentos necessários. A praça da cidade estava com uma comemoração de “Jubilados” (terceira idade), e era linda e bem cuidada.

Estacionamos o “Bee” ao lado de um monstruoso eucalipto. Nos demos ao trabalho de medi-lo, sendo que a sua circunferência era de 8,5 metros (um colosso). Os pequenos no reconhecimento da cidade, viram uma pracinha de balanço. Esta era a recompensa a estes dois guerreirinhos. Levei-os até lá, enquanto a Adelaide preparava o jantar, com uma variação importante dos cardápios das noites anteriores, pois ao invés de massa, com molho e frango, teríamos molho e frango com massa. As crianças novamente amaram o cardápio. O Artur e o Davi se divertiram muito na pracinha, sendo que o Artur, característico dele, logo ia fazendo amizades. A dificuldade da língua não era empecilho, e ia o meu simpático e querido pequeno, colecionando amizades.

Após o nosso jantar a “sombra” deste gigante e acolhedor eucalipto, resolvemos ver como era esta festança dos jubilados que ocorria a alguns metros dali. Realmente estávamos em uma cidade do interior, onde as famílias se reuniam e se divertiam em sua praça central. Notamos que uma característica do local era o de ser esta uma cidade de colonização alemã.

Voltamos para nossa casinha sobre rodas, e entregues pelo cansaço, tomamos o nosso banho e despencamos em nossas camas, agradecendo antes a Deus, pela ótima viagem e pelo privilégio de estarmos vivendo esta linda história.

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A Travessia de Buquebus