Prólogo 2 - A partida e o Reencontro

Resolvemos muito tardiamente que este ano faríamos uma grande viagem de Motor Home. Na verdade, eu que estava mais obstinado com esta ideia.

Coloquei na cabeça um objetivo já a muito tempo acalentado: “Carretera Austral”.

A Adelaide, por conta deste açodamento, e também pelo pouco conhecimento e pesquisa que tínhamos do local, somados agora ao fato de termos dois pequenos, que requerem todo um planejamento especial, estava bastante receosa.
Diferente das nossas viagens de moto anteriores, que não só planejávamos muito, mas também éramos só nós.

Mas enfim, com, ou sem planejamento, insisti e persisti na ideia de irmos ao encontro desta tal de “Carretera”.

Nossa partida atrasou em dois dias, por conta dos nossos atrapalhos na preparação (Situação que sempre me estressa. Entendo que estes atrasos denotam nossa desorganização), e também porque resolvemos passar nossa virada de ano em Torres, abdicando nestes dias que lá estivemos da preparação da viagem.

Mas enfim, após tudo pronto, partimos na quinta-feira dia 5 de Janeiro, após o almoço. Rodaríamos até onde entendêssemos, afinal, levávamos nossa casa, o motor home Bee, conosco.

Fomos no decorrer do caminho aventando a possibilidade de pararmos em Rio Grande, no bairro da Quinta, que fica no entrocamento da BR 293, que dá acesso a Rio Grande (seguindo a esquerda, e hoje facilitado com a construção de um viaduto) e também dá continuidade a quem vai a Chuí e Uruguai (mantendo-se a direita). Este último trecho passa pelo incrível banhado do Taim.

Na Vila Quinta moram nossos amigos José Serra (Serra) e Maria Ângela (Manja), casal amigo já de boa data, que conhecemos de uma forma super inusitada, mas só possível para os viajantes com espírito Wanderlust. A história de como conhecemos esta super especial família você confere aqui.

Resolvemos contatar nossos queridos amigos para ao menos dar um abraço, afinal, já iam meses que não nos víamos.

Paramos na Quinta por volta das 17:00 hrs, e como sempre a recepção foi calorosa, amiga e cheia de carinho. Temos uma especial admiração e carinho por esta família também composta pela querida Lili, filha do casal.


Resolvemos pernoitar na Vila da Quinta, pois tínhamos muito a conversar, afinal, duas famílias viajantes tem muito a trocar nestes encontros. Se bem que para nós, muito mais a receber do que contribuir, dado a vasta experiência destes viajantes.


Serra e Manja, pelo fato de morarem em um entroncamento, que é passagem de diversos viajantes, e pela suas andanças onde colecionam amigos, acabam por interagir com os mais diversos viajantes, que se deslocam pelos mais diversos meios. O lema do casal é "Serra e Manja, viajando e fazendo amigos". Suas diversas viagens, seu espírito de apoio e acolhimento, faz com que sejam super conhecidos e também detenham um largo conhecimento e experiência. 

Foi uma noite regada a um ótimo vinho e ótima pizza, com muita prosa, muito carinho e matando a saudade.

Este também foi o primeiro pernoite do primeiro, primeiro dia nossa viagem, que seria interrompida por um fato que marcou profundamente toda uma cidade. Teríamos um segundo primeiro dia.