Prólogo 3 - A Devastação

Despertamos com o telefone lotado de mensagens de texto, e no Whatss, ligações não atendidas e gravações de mensagens de voz.

Nossa cidade, no dia anterior, dia de nossa partida, à noite, foi acometida pela maior e mais grave enchente de sua história.

Enchente de água e lama, decorrente de centenas de desmoronamentos em montanhas que circundam a cidade ocasionando o represamento do Rio, até a sua explosão, arrastando tudo pela frente, árvores, pedras, animais com sua força, e de forma muito rápida, não mais de 30 minutos, inundando bairros e o centro da cidade.

Milhares de pessoas foram atingidas, com esta enchente de lama.


Foi um milagre Seres humanos não terem sucumbido, pois esta catástrofe pegou a maioria das pessoas de surpresa, uma vez que a chuva com a intensidade para uma cheia, não havia ocorrido na cidade, mas sim no topo da serra, vizinha a cidade.
A cidade foi destruída.

Estávamos lá em Rio Grande com dois corações: voltamos e nos unimos a corrente de solidariedade e executamos as providências necessárias em nossa propriedade também atingida, ou continuamos a viagem?

Não tínhamos muita opção. Nossa coração não iria tranquilo.

Resolvemos regressar.

O regresso foi triste e emocionante, pois escutávamos no rádio a transcrição da gravidade do ocorrido.

Mas nunca mais nos esqueceremos da visão de nossa cidade ao chegarmos. Um cenário de guerra, com casas, móveis e pertences arrasados. A imagem emblemática desta tragédia era o símbolo de nossa cidade, uma “cuqueira” (Rolante é a Capital Nacional da Cuca), instalada na entrada da mesma, destruída em uma posição de “balança mas não cai”. Não havia resenha melhor do que agora vivia esta comunidade, ou seja, ela balança, mas não cai.

Choramos com a desolação que vimos.

Se esta foi a maior e mais grave enchente que Rolante já presenciou, nunca antes esta cidade e a região haviam visto uma corrente de solidariedade tão intensa, numerosa, rápida e efetiva.

A cidade foi tomada por voluntários de todas partes do estado.

Caminhões e outros veículos com donativos chegavam.

Clubes de jipeiros, trilheiros, escoteiros, agremiações religiosas, empresas, se juntavam a esta imensa corrente de amor ao próximo.

Impressionava a capacidade de apoio e mobilização.

Foram dias de solidariedade e reconstrução.

Apoiamos esta corrente, mas também nos dedicamos a reconstrução do tanto de estrago que também aqui em casa esta devastação ocasionou. Por sorte, e por termos construído nossa casa com uma boa altura do nível do chão, o interior de nossa residência, diferente de centenas de famílias, não foi atingido. Mas nossa propriedade (moramos em um sítio), foi bastante afetada, com cercas destruídas, e o galpão também invadido pela lama.

Era hora da reconstrução e nos dedicamos a isto nos dias seguintes.