Yeti - Tour Virtual “New Yeti” - By DHR Overlander

Nosso Motor Home Yete, uma F 4000 4x4, ano 2011, passa neste ano de 2021 por um forte processo de melhorias e adaptações, que resultaram em um Motor Home mais adaptado as nossas necessidades e preparado para grandes e extensas viagens em distância e tempo. Aspectos de versatilidade, economia  e autonomia energética bem como segurança foram os principais itens trabalhados neste processo.

Família Link no Fim do Mundo - Ep. #05 - Ciclos.

Família Link no Fim do Mundo - Ep. #04 - Ushuaia, início ou fim do mundo?

Família Link no Fim do Mundo - Ep. #03 - Ventos, Revelações e Vidas

Família Link no Fim do Mundo - Ep. #02 - O Que Realmente Importa

Família Link no Fim do Mundo - Ep. #01 - Cada Dia É Uma Vida


Família Link no Fim do Mundo - Ep. #01 - Cada Dia É Uma Vida

Wings of the Condor - Música tema da Web Série "Família Link no Fim do Mundo"

Trailer da Web Série "Familia Link no Fim do Mundo"


Trailer da Web Série "Familia Link no Fim do Mundo", que conta a história da viagem da Família Link a Terra do Fogo e Patagônia, por 29 dias, realizada em 2019. 

Esta Web série foi produzida pelo Eduardo Gelinger, da Ímpeto Produções, com o apoio do Richard Fogaça. Imagens e vivência da história foi da família Link, mas transformar tudo isto em uma poderosa e envolvente narrativa, foi desta dupla de talentosos profissionais. Nossa gratidão a eles. 

29° e último dia – 24/01/19

29° e último dia – 24/01/19
Concórdia à Rolante
Quilometragem Parcial: 967,2 km 
Quilometragem total acumulada: 11.354 km no google maps  e 11.529 km no marcador (odômetro
Último “tramo” de nossa viagem, e o mais longo. Nos propusemos a hoje chegar em casa, porém tínhamos pela frente quase 1000 km e uma fronteira para passar. Por um bom trecho andamos na escuridão, e a medida que o sol começava a mostrar a paisagem, víamos também que a região havia sido afetada por fortes chuvas nos últimos dias (as mesmas que assolaram a fronteira oeste de nosso estado). Rios cheios e campos alagados. As 11:00 da manhã chegamos em Uruguaiana. Trâmites como sempre “burros” e na minha opinião desnecessários, porém relativamente rápidos. Entrando no Brasil por Uruguaiana, seguimos a BR 290, em péssimo estado, mostrando escandalosamente a falta de respeito do estado para com o cidadão e para com as forças produtivas. Especialmente para com os caminhoneiros, que rasgam pneus, se acidentam, por conta desta total irresponsabilidade do poder público. Realmente não podemos nos admirar quando paralisam. Na verdade, devemos nos admirar pelo quanto de paciência eles

28°dia – 23/01/19

28°dia – 23/01/19

Azul à Concórdia
Quilometragem parcial: 679,3 km
Quilometragem total acumulada: 10.386,8 km 

Novamente despertamos as 5:00 hs ainda escuro, conseguimos fazer o desayuno no próprio posto, que a propósito era excelente, e seguimos subindo em direção ao norte. Já não tínhamos mais o vento por companhia, e o Motor Home rodava redondo. Alcançamos Cañuelas, lá abastecemos novamente no posto Shell (o mesmo da vinda que nos surpreendeu pela infra estrutura e por ter na sua pracinha um carrossel), e seguimos para alcançarmos a cidade de Campana (arredores de Buenos Aires), onde iniciava um trecho de asfalto de concreto muito ruim e perigoso, com inúmeros buracos traiçoeiros, trecho que ia até a cidade de Campana, aproximadamente 20 km de perigo. Segui com cuidado, desviando, diminuindo muito a velocidade e tentando driblar estas arapucas. Porém em dado momento, acabei batendo em um buraco. Logo temi ter furado o pneu. Seguimos, a princípio sem este dano. Ultrapassamos Zarate, atravessamos as duas enormes pontes sobre o complexo de rios do Rio Paraná Guazú, e que separam a província de Buenos Aires da Província de Entre Rios. Logo que ingressamos em Entre Rios, a polícia Camineira, famosa pela corrupção nos pára. Solicita os documentos, averigua e nos deseja boa viagem. Procedimento recorrente em toda a Argentina. Me parece que houveram mudanças neste sentido, e hoje arrisco dizer, as ocorrências de pedido de propina nãos mais ocorrem. Modernizaram a polícia, trocaram os policiais e se recompôs a normalidade. Mas a pecha ficou, e o medo da reincidência também. Espero que minha impressão seja correta e que não mais tenhamos eventos neste sentido, tão comum até pouco tempo, nos relatos dos viajantes. Alguns quilômetros após a polícia ouvi um barulho de ar vazando. Achei que pudesse ser a mangueira de ar do freio motor. Estaciono no acostamento e vou averiguar. Qual não foi minha decepção ao constatar mais um pneu furado, o 4° da viagem, porém agora no rodado traseiro, lado do motorista. E com um rasgo na sua lateral. Certamente foi o buraco de Campana. Não esgotou logo, pois somente cortou o pneu, e com o andar, acabou mastigando a câmara, ocasionando o furo. Resolvi rodar bem devagar até um borracharia a alguns quilômetros dali, pois neste caso era possível, por se tratar de rodado duplo na traseira (diferente do dianteiro). Lá, a borracharia afastada do posto de combustível por um pátio completamente enlameado (havia chovido), estacionei. Constatei ali que o estepe que comprei em Perito Moreno era menor (embora houvesse medido, me equivoquei e peguei um menor). Não sei como não vi. Troquei uma ideia com o borracheiro. Resolvemos concertar o pneu com um remendo grosso. Me pareceu uma solução boa, em detrimento de dois pneus de bitolas diferentes. Concluído a função, abastecemos e partimos. Nem rodamos 10 km e “PUM”, um enorme estouro. Logo soube que aquele pneu que concertamos havia estourado, a 5° vez nesta viagem (Já estava trocando pneu desta vida, de vidas passadas e de vidas futuras, kkk). Desta vez não teve jeito. Temi continuar e comprometer o que estava bom. Resolvemos trocar e instalar o estepe fora de padrão (o menor comprado em Perito Moreno), pois seria melhor que mais um pneu estourado que poderia se desmanchar e detonar o seu lindeiro. Seguiria até Gualeguaychú, cerca de 20 km adiante, onde tentaria comprar um novo pneu, ou melhor dois. Após toda a função da troca do pneu traseiro, um pouco mais difícil que o dianteiro, seguimos. Nesta lida, perdemos quase 40 minutos. Queria resolver definitivamente esta dificuldade que nos trazia apreensão. Encontrei uma borracharia antes do acesso a Gualeguaychú, onde pedi informações de locais para compra de pneus. O Borracheiro, a princípio quis vender os seus usados, mas disse com convicção que queria novos. Então como ele estava indo ao centro, pediu para segui-lo e nos levou na loja da Fate (pneus Fate). Lá, graças a Deus encontramos os tamanhos que necessitávamos e comprei dois pneus novos. Nesta altura já passavam das 18:00 e acabava de comprar o 3° e 4° pneu nesta viagem. Nosso objetivo, apesar do atrapalho e do horário e do prejuízo, era chegar a Concórdia. Seguimos e já noite finalmente, a alguns km do acesso a Concórdia, estacionamos em um posto YPF, onde descansamos. Dia longo, cansativo, mas mais uma vez vencemos nossos desafios, com calma e tranquilidade. Grande exercício para a mente estas eventuais dificuldades que enfrentamos.

Neste dia rodamos aproximadamente 679,3 km.

27°dia – 22/01/19

27°dia – 22/01/19
Gral. E. Godoy à Azul
Quilometragem parcial: 773 km
Quilometragem total acumulada: 9.707,5 km 

Acordamos 5:30 da manhã e 6 hrs já estávamos na estrada. Antes de seguir abastecemos em sinal de gratidão ao local cedido para pernoite, como sempre fizemos (troca de combustível por água e pernoite). Ainda escuro, seguimos na direção leste, vendo as pequenas cidades começando a despertar. Víamos que algumas delas estavam entre vales, cercadas por paredões do deserto patagônico. São vales formados pela erosão decorrente da ação do vento e da água. O Sol, bem na nossa frente, começava a aparecer, nos oferecendo um belíssimo espetáculo, que me fez parar para fotografar. Naquele instante, também a lua cheia se despedia. Uma cena única, do encontro destes dois astros que fazem companhia a nossa mãe terra. Lá estavam Sol, e Lua, como que se cumprimentando e dizendo. ”Ok Sol, assuma agora seu posto, pois irei para o outro lado. Ok lua, vá em paz, bom trabalho, me esforçarei para trazer alegria e ânimo aos humanos. Obrigado por guardar o sono de nossos amigos. Obrigado a você Sol, pela sua força e energia e por fazer tanto bem a todos. Nos vemos daqui a pouco. Vou indo, até mais.”. Com este diálogo imaginário, seguimos animados, felizes e cheios de boas lembranças desta e de outras viagens que fizemos, e que trocávamos sorvendo nosso mate matutino. Tomamos nosso Desayuno (café da manhã) na cidade de Choele Choel, e alguns quilômetros mais adiante alcançamos mais uma marco simbólico de nossa viagem. Fechávamos uma espécie de círculo no encontro da Ruta 22 com a Ruta 251. Neste ponto ligamos os caminhos do sentido Sul na posição leste ou paralela ao oceano atlântico, aos caminhos do sentido Norte, na posição oeste, paralelos a cordilheira. Após este entroncamento, novamente estávamos na mesma ruta que nos levou ao sul, porém agora no Sentido Norte. Paramos para registrar o momento. Começávamos nossa segunda despedida, A despedida da Patagônia e do seu imenso deserto, de sua imensa estepe. Exatamente em Bahia Blanca ocorre o “portal de passagem”, deste bioma, para outro, onde o verde predomina em substituição ao amarelo. Um novo cenário, com agricultura, pecuária e girassóis. Acessamos, após Bahia Blanca a Ruta 51, passando novamente pela cidade que elegemos como a mais amável da viagem e que guardamos carinhosas lembranças, a cidade que passamos nossa virada de ano, Cel Pringles. Mais uma despedida simbólica, feita mentalmente, no íntimo com votos de um dia voltar e reencontrar os amigos que aqui fizemos. Chegamos também no final do dia em Azul e estacionamos no ótimo posto YPF, onde fomos atendidos por um super atencioso frentista que torcia pelo Racing e nos mostrou sua carteirinha de sócio para comprovar sua paixão. Em Azul, o Artur ganhou uma bola de futebol e lá neste posto tivemos a sorte de contarmos com um gramado que transformamos em campinho de futebol e terminamos o dia jogando a pequena “pelota”. Também estacionado no posto um senhor que viajava sozinho em um pequeno Motor Home construído por ele, na carroceria de uma S10. Um sujeito curioso com histórias. Até onde entendi era aviador, inventor, motociclista, uma espécie de professor Pardal. Me mostrou suas invenções de motocicleta que construiu na garagem de sua casa. Embora casado, viajava sozinho. Neste dia rodamos o equivalente a 773 km.

26° dia – 21/01/19

26° dia – 21/01/19
El Bolson à Gral. E. Godoy
Quilometragem parcial: 628,3 km
Quilometragem total acumulada: 8.934,5 km 

Após nossa parada estratégica, onde almoçamos e decidimos nosso futuro na viagem, antes do cruzamento da Ruta 237 com Ruta 234, seguimos viagem em direção a Neuquen. No caminho, avistamos os dois últimos Guanacos de nossa viagem. Mais uma despedida. Estes “companheiros”, vista frequente de nossa viagem, ali estavam perfilados para se despedirem. Desconfiei que seriam realmente os últimos que avistaríamos e silenciosamente e comovidamente me despedi, fazendo votos que um dia possamos voltar. Se não nós, nossos filhos. E que o carinho e o sentimento bom que nutrimos por estes animais, também possam gerar nas crianças memórias afetivas queridas e saudáveis. Adeus queridos e simpáticos amigos. Seguimos pensativos, sendo nossa ideia pernoitarmos um pouco após Neuquem, em algumas das diversas cidadezinhas que existem na região. Engraçado que após a grande Neuquem, existem uma considerável aglomeração de cidadezinhas, uma após, outra. Também a região é forte produtora de frutas e vinhos, com canais de irrigação que levam água à terra seca e arenosa da Patagônia, fazendo da região um forte celeiro agrícola. Já o sol começando a se por, chegamos a cidade de Gral. E. Godoy, onde o IOverlander nos indicava um posto de combustível YPF, para pernoite. Lá, a partir de uma gentileza do frentista que nos atendeu conseguimos ficar em um ótimo local. Fomos descansar, pois no dia seguinte rodaríamos muito, portanto despertaríamos cedo para esta empreitada. Neste dia rodamos o equivalente a 628,3 km

25° Dia – 20/01/19

25° Dia – 20/01/19
Perito Moreno a El Bolson
Quilometragem parcial: 678 km 
Quilometragem total acumulada: 8.306 km 

Grande dia, dia do aniversário de nosso guerreiro Davi, que tem o privilégio de dos seus 5 aniversários, ter nos três últimos, comemorado em locais super diferentes e especiais. No seu aniver de 3 anos, em 2017, quando fomos a Carretera Austral comemoramos na praça da cidade de Esquel, exatamente no dia que ingressaríamos nesta incrível Carretera. Ano passado, 2018, nos seus 4 anos, comemoramos a mais de 4.000 m.a.n.m, no passo São Francisco, tendo como cenários, vulcões, salares e as incríveis cores do altiplano atacamenho. Este ano, ele despertou na estrada, já a alguns quilômetros da cidade de Perito Moreno, bem no coração da mais agreste Patagônia e no seu despertar, cantamos o primeiro “parabéns a você”. Ele a dias cultivava uma ansiedade em relação a data do seu aniversário, repetindo por diversas vezes a pergunta de quantos dias faltavam, reafirmando que faria 5 anos, e assim

24° Dia – 19/01/19

24° Dia – 19/01/19
Bajo Caracoles à Cueva de Las Manos (92 km, ida e volta)
Cueva de Las Manos à Perito Moreno (134 km)
Quilometragem parcial: 226 km 
Quilometragem total acumulada: 7.628 km

Para chegar ao sítio arqueológico Cueva de Las Manos, precisamos acessar novamente uma estrada de terra, ou seja, de rípio. Seriam 46 km de um bom rípio (a princípio foi o que nos informaram), até o canyon Rio Pintura, onde se localiza a Cueva de Las Manos, área protegida e tombado pela Unesco como patrimônio da Humanidade. Seguimos então esta estrada, que variava trechos bons, com não tão bons e trechos ruins. A estrada apresentando bela paisagem, com guanacos e nhandus (uma espécie de Ema), a sua margem. Quando nos aproximamos do Canyon Rio Pintura, uma forte descida se inicia para chegar até a entrada do parque, onde se localiza o sitio arqueológico na escarpa

23º Dia – 18/01/19

23° Dia – 18/01/19
El Chalten a Bajo Caracoles
Quilometragem parcial: 523 km 
Quilometragem total acumulada: 7.402 km 

Dia de dizer mais uma vez Adeus a El Chalten (pois estivemos aqui em 2008), esta cidade instigante, linda e que merece uma estada maior para explorar suas bens sinalizadas trilhas e caminhos. Antes de seguir viagem, eu e a Adelaide procuramos uma Panaderia (Padaria) para o Desayuno (café da manhã), afinal, seria um dia de longa viagem até o nosso próximo destino, Bajo Caracoles, base para acessarmos o famoso sítio pré-histórico, “Cueva de Las Manos”. Conseguimos uma ótima Panaderia, já cheia de caminhantes e outros aventureiros do mundo todo. Esta Panederia, foi eleita como a que continha os melhores quitutes. Infelizmente não possuía “média lunas” (haviam acabado e as novas não estavam ainda assadas), mas seus outros produtos estavam ótimos e super recentes (fresquinhos). Seguimos, muito satisfeitos, a viagem retornando nos 90 km que separavam El Chalten da Ruta 40. A partir dali rodaríamos alguns quilômetros até a pequena cidade de Três Lagos, onde existe uma “Estacion de Servicio” que em 2008 paramos, antes de a partir dali, acessar a na época temível ruta 40, com rípio e vento. Naquele ano, a partir de Três Lagos até Bajo Caracoles e creio que também adiante, não existia asfalto. Atualmente, somente um trecho de 70 km que inicia alguns quilômetros após Três Lagos e termina alguns quilômetros anterior a cidade de Governador Gregores (dados que se referem ao sentido norte da ruta) é ainda de rípio. Em 2008, três quilômetros após acessarmos a Ruta 40 com um rípio horrível e horrível vento, tivemos uma forte queda, que graças a Deus não nos machucou gravemente, mas que poderia ter sido muito mais sério (Abaixo o link com o relato deste ocorrido em 2008). Portanto o rípio, já é caso antigo nosso, pois não temos uma relação amistosa. Infelizmente teríamos novamente que enfrentá-lo, após a traumatizante experiência de Tapi Aike. O Fato é que o Rípio deve ser respeitado, e a condução neste tipo de terreno exige algumas técnicas e cuidados. Teríamos 70 km de rípio pela frente e a decisão mais sábia era percorrê-lo “despacio (devagar)”, muito devagar, para não resultar em mais um pneu destruído. E assim procedi. A velocidade média não passou de 20 a 30 km por hora. Haviam trechos bons e trechos muito ruins. O Rípio são estradas com muitas pedras redondas (estas que conhecemos como pedras de rios), que ocasionam pelo passar dos veículos, trilhos enormes, portanto perigosos para quem anda rápido e para os motociclistas. Estas pedras também podem ser pontudas e cortantes como facas, por isso uma boa ideia é andar muuuuito devagar, principalmente para quem leva peso como nós. E estar mentalmente preparado para tudo isto com muita paciência e curtindo o caminho. Após aproximadamente 2 horas ou mais neste trecho, finalmente alcançamos o asfalto. Seguimos até Governador Gregores, onde já meia tarde almoçamos e abastecemos. Aqui vale destacar um fato histórico relacionado ao local. Em Governador Gregores, mais um episódio do período retratado como “patagônia rebelde” ocorreu. A Patagônia Rebelde, como já mencionado no post da passagem que tivemos por Jaramilo e o monumento Facon Grande, foi um levante de campesinos, reivindicando melhores condições de trabalho no início do século passado. Foi um levante contra os grandes estacieiros (A Argentina é conhecida como o país das Estâncias). A rebelião sofreu forte e violenta repressão e neste local, na entrada da cidade 200 trabalhadores foram fuzilados, queimados e enterrados em uma cova comum. O Episódio é lembrado a partir de um monumento em honra e memória a estas pessoas que tombaram neste fatídico dia na entrada da cidade, de quem vem do Sul. No posto de combustível de Gov. Gregores encontramos também três simpáticos motociclistas que vinha de Neuquem e queria chegar a El Chalten. Preocupados com o Rípio, pediram orientação. Aconselhei a irem bem cedo, pois não há vento e muito devagar. Após o almoço, seguimos viagem pois havia ainda um longo trecho pela frente até Bajo Caracoles. Em dada altura em um paradouro "hotel El Olnie" pensamos em pernoitar. Paramos, fomos falar com o dono, sobre a possibilidade de pernoitar ali e se possível usar água, o que ele assentiu, mas nos pediu para esperar que logo seu filho nos orientaria. Esperamos, esperarmos e esperamos. Estão nos fazendo de bobo, comentei com a Adelaide. Vamos seguir. Foi o melhor que fizemos. Chegamos em Bajo Caracoles com o Sol já se pondo, mas conseguimos água, no único posto de combustível do pequeno local (posto de combustível é uma forma bem favorável de se referir a ele pois era somente uma bomba de combustível isolado no meio da localidade). Lá outros viajantes estavam também chegando, portanto não éramos os únicos a viajar até tarde. Uma família, também recém chegada, capturou um “peludo”, nome dado a um pequeno tatu encontrado somente aqui. E estava vivo, e curiosos com a oportunidade pedimos para vê-lo, o que assentiram e ainda insistiram para que pegássemos. Um momento interessante para as crianças que puderam ver de perto este bichinho que haviam somente avistado de longe e de passagem pelas estradas. Infelizmente o pobre bichinho logo, logo viraria um ensopado.
Abaixo o link do relato de nossa queda de moto na ruta 40 em 2008:

22° dia - 17/01/19

22° dia - 17/01/19
El Calafate a El Chalten
Quilometragem parcial: 214 km
Quilometragem total acumulada: 6.879 km 

Pela manhã, após abastecermos, me chamou a atenção lindíssimas rosas em frente a uma casa vizinha ao posto YPF. Grandes, cheirosas e bem cuidadas. Mereciam o registro. De lá circulamos pela avenida costaneira, que margeia o lago argentino repleto de aves e flamingos rosas e encontramos uma pracinha que as crianças fizeram questão de brincar. Aproveitamos bem o local. As crianças se divertiram. Aqui o título de melhor pracinha da Viagem. Almoçamos neste local e seguimos. Antes de sairmos de El Calafate dei uma parada uma livraria da cidade. Estava Interessado em livros sobre a Patagônia. A livraria era ótima e consegui diversos títulos. Comprei mais do que deveria e menos do que gostaria. Mas ok. É assim mesmo. Uma viagem amplia o escopo de compreensão e interesse com o conhecimento da história local, dos fatos curiosos e da origem de determinadas situações. Neste sentido sou muito curioso e a fonte para suprir esta insaciável curiosidade é a leitura. Me deleito em uma livraria, ao ponto de perder a noção do tempo. Mas enfim, livros comprados, seguimos nosso rumo, retomado a Ruta 40 no sentido Norte. O caminho pela 40 nesta altura é também lindo, com o lago Argentino e o Rio Santa Cruz de águas azuis incríveis, contrastando com a estepe verde Marron da Patagônia. Além de cochilas e Cerros com formações diferentes. Antes do acesso a cidade de El Chalten, paramos no famoso paradouro La Leona, onde conta a história, o agrimensor Perito Moreno teria sido atacado por um Puma, e por isso o nome do paradouro (hoje hotel), e do Rio que passa em frente, Rio La Leona. Me decepcionei um pouco com o local, pois pensava encontrar mais história. Encontrei nada mais que um ponto “normal”, que vende café (nem tão bom), e vende suvenirs. Na parede a Foto de Butch Cassady e a menção a ele ter estado e pousado neste local, fato não verdadeiro. A cronologia das datas faz ser Impossível está passagem. Mesmo assim continuam a reproduzir esta mentira, o que acho uma sacanagem. Mas vi também uma foto do cineasta Francis Ford Coppola no paradouro, este sim um fato verdadeiro. No mais decepcionado pois tinha a Expectativa de encontrar um “bolicho” repleto de wHistórias, mas não foi o caso. Seguimos com uma dúvida quanto ao nosso próximo destino. Entrar ou não entrar na cidade de El Chalten, a pequena cidade encravada em um canyon, na base do incrível monte Fitz Roy com seu 3.359 m.a.n.m, cuja formação surpreende pela verticalidade. Creio que esta montanha inspirou a Recente animação “Yete”, como o lar destes gigantes (quem assistiu o desenho animado entenderá o que estou dizendo). Seriam 90 km contra o vento e mais 90 km para sair. Somente esta visita demandaria 180 km a mais. Pensamos, conversamos e decidimos que valeria a pena ir até lá e fazer uma experiência de trekking com o Artur. El Chalten é a Meca dos escaladores e amantes do treikking. Diversas trilhas muito bem marcadas, com diferentes níveis de dificuldade estabelecem a cidade como um ponto para esta partida. A propósito, a cidade em si e sua localização neste espaço de Vale e Canyon, é algo extremamente diferente e interessante. Em minha opinião é a cidade mais bonita que visitamos, pela sua peculiar geografia e localização do seu assentamento. Lá, vc encontrará turistas do mundo todo, especialmente mochileiros. Havia uma trilha próxima a Cidade, chamada mirador de Los Condores que era de nível fácil de dificuldade, embora com uma interessante inclinação. Iríamos, eu e o Artur fazer este caminho. Ao chegar em El Chalten paramos no único posto de combustível na entrada da cidade, instalado em um container e conhecemos o frentista que ganhou o título de mais antipatico, arrogante, estupido e marrento de toda a viagem. Ganhou inclusive da “rainha da Inglaterra”, já mencionado aqui, lá no post de Ushuaia. Incrível a antipatia. Se graduou e pós graduou nesta arte. Foi perfeito neste quesito, ganhando o troféu “mais imbecil”. Estacionamos mais adiante em um estacionamento no lado oposto da rodovia que acessava o centro de informações na entrada da cidade. Neste local, indicado pelo IOverlander, vários outros overlanders do mundo todo estavam estacionados. O Artur, juntou seu “equipamento”, mochila, canivete suíço e a garrafa de água, colocou seu tênis e fomos ao encontro do mirador de Los condores. Seria uma caminhada de 1:30 entre ir e voltar. A trilha sobe até uma montanha de paredes verticais, que da uma incrível vista para a cidade e se tiver sorte verá condores nos ninhos deste paredão. No horário que estávamos indo, tínhamos também de bônus o espetáculo do por do sol se pondo atrás das agulhas do complexo de montanhas Fitz Roy, completamente esbranquiçadas. Somente o pico Fitz Roy pela sua total verticalidade não segurava a neve. Chegamos ao local, fotografamos e descemos. Infelizmente não avistamos condores, mas valeu muito a pena a caminhada e o Artur adorou. No Yete, o Davi montava seu Lego e a mamãe já concluía o jantar. Comemoramos o dia, e a decisão de termos vindo para este incrível local.

P.S: Infelizmente, viemos a saber depois, dois brasileiros que tentavam a escalada ao Monte Fitz Roy, no dia seguinte as 14:00, foram vistos pela última vez, descendo a montanha quando uma tempestade os alcançou. Desaparecidos, seus corpos foram avistados dia 26/01. Nestes locais não há perdão para eventuais ou simples decisões equivocadas. E a montanha passa a ser o túmulo de suas vítimas.
Abaixo link com toda a informação sobre este triste acontecimento:

21° dia - 16/01/19

21° dia - 16/01/19
El Calafate e passeio ao Glaciar Perito Moreno
Quilometragem parcial: 160 km
Quilometragem total acumulada: 6.665 km

Antes de qualquer coisa deveríamos providenciar um novo pneu para o Yete, pois o que nele estava ficou destruído. Conseguimos com apoio do administrador do camping, um local para comprá-lo. Conseguimos outra marca e não radial, que eu gostaria. Paciência, era o que tínhamos para o momento. Na sequência teríamos que encontrar uma “Gomeria” (borracharia), para efetuar a troca. Encontramos a partir de uma indicação, a Gomeria Gallardo, do Carlos, o “El Tucho”. Aí vcs imaginam onde nos metemos!!!! Pois bem. Era o que tínhamos também. O “El Tucho”, embora muito simpático não gostava muito de trabalhar. Logo deu para notar. Nem afrouxar os parafusos ele se prontificou. Sem cerimônia me alcançou as ferramentas, kkkk. Enfim. Mãos à obra. Ocorre que se aproximava também a hora do almoço, e o primeiro litrão de “Brahma” o aguardava. Então o trabalho foi feito a imagem e semelhança do que presenciava ali. Mas foi divertido. Troca feita, abastecimento de combustível feito, seguimos rumo ao Parque Glaciar Perito Moreno, distante 80 km de El Calafate, em uma estrada muito linda, dentro do parque com inúmeras curvas. Lá estacionei bem pertinho dos miradores principais, de frente ao glaciar e apreciamos mais uma vez deslumbrados esta maravilha incrível da natureza. Inexplicável este espetáculo proporcionado por este gigante glaciar que se movimenta e que se constitui no único que não tem mudado seu tamanho e características (os demais vem diminuindo seu tamanho). O Glaciar tem 244 km2 de área que se estende desde aproximadamente 3.000 m.a.n.m até 185 m.a.n.m na sua parte frontal. Tem uma largura no sentido leste oeste de 23,5 km desde o Certo Pitronelli que se avista logo atrás do glaciar dos mirantes (e já desde de El Calafate) e faz também divisa com o Chile, e no sentido norte, sul uma largura de 31 km até o limite com o Glaciar Frias. Na sua parte central tem 8 km de frente e se mediu uma espessura de 700 metros de gelo. O Perito Moreno da linha d’água até seu topo atinge a altura de 50 a 70 metros. E a profundidade no canal Lós Tempanos (em frente ao Glaciar), atinge 160 metros de profundidade, significando que o Perito tem aproximadamente 240 metros de altura de puro e massivo gelo. Impressionante. De onde o olhamos na parte do meio deste platô de gelo a distância de uma extremidade a outra é de 5 km (não parece, mas é sim tudo isso). O Glaciar se move 2 metros por dia, desprendendo a cada pouco toneladas de pedaços de gelo no canal do lago Argentino. São dimensões impressionantes, mesmo não sendo o maior Glaciar, título que pertence ao Glaciar Viedma. O Glaciares estão localizados no Parque Nacional Los Glaciares, que foi criado em 1937, o que possibilitou a proteção de uma grande área de gelo Patagonico Sul, conserva também os característicos bosques Andinos encontrados nos sopés das cordilheiras e a estepe Patagônica, além da riquíssima e incomum fauna Patagônica. São 726.900 ha preservados, se constituindo no mais extenso parque da Argentina, que a propósito possui inúmeros Parques Nacionais muito bem estruturado e protegidos, assim como no Chile. Na área de visita ao Perito Moreno, temos passarelas de alumínio muito bem conservadas, em vários patamares de altura e com diversas sacadas com bancos e algumas inclusive com vidros para proteger do vento. Muito agradável o passeio por lá. E merece um dia de apreciação com vagar e paz. Inclusive para flagar momentos de desprendimento de pedaços gigantescos de gelos de suas paredes, que causam estrondos monumentais parecendo trovões. Um espetáculo único. Conseguimos flagar duas quedas. Penso que o final da tarde estas quedas são mais propicias. Terminada a visita retornamos a El calafate para novamente ir ao mercado e começar os preparativos para o aniversário do Davi, que ocorre dia 20. Nesta noite estacionamos o Yete em um pequeno estacionamento onde costumam estacionar os overlanders, no centro de El calafate. Lá um MH alemão e duas kombis de brasileiros também estacionadas. A noitinha uma pequena caminhada pelo centro da cidade, porém os preços das loja e restaurantes é impraticável, em minha opinião. Muita exploração, tendo em vista ser El Calafate, junto com Bariloche (2000 km ao norte), os principais destinos turísticos da Argentina. Aí o pessoal explora mesmo. O dia foi ótimo e cheio de descobertas. Fomos dormir felizes com nossas conquistas e experiências neste dia.

O Espantalho da Velha 40

“O Espantalho” da Velha 40

Não sei se certo ou errado, mas estimulo muito junto aos meus filhos a fantasia, os contos, as histórias. Penso que a fantasia, especialmente nesta fase de suas vidas é uma argamassa importante para futuros indivíduos criativos. E o mundo precisará cada vez mais de indivíduos criativos. Portanto, não só histórias já existentes são contadas (aquelas do nosso tempo), mas também histórias e personagens são inventados ou incorporados à relatos, cujo protagonistas muitas vezes são eles em estórias de aventura por este mundo. Assim foram criados o “bichão papão da varinha de espinho”, personagem que habita o deserto Atacamenho, o Yete (figura (personagem)já existente, que incorporamos à nossas histórias e também utilizamos como nome de nosso MH), gigante que habita as montanhas geladas dos Andes, e agora o Espantalho da Velha 40. E esta história inventei após fotografar os sinistros espantalhos só vistos neste trecho, que decoravam alguns pontos da margens desta velha 40, a partir de Tapeki Aki. Ali tínhamos um pequeno conto e criava-se mais um personagem. Uma vez trocado o pneu e nós já instalados em um camping em El Calafate, contei aos garotos a história “do espantalho da velha 40”. Eles com os olhos arregalados escutaram:

“conta a história, que a muitos anos, na construção da Ruta 40, naquele trecho de Taipki Aiki, um dos trabalhadores queria tomar água e lanchar, pois estava muito cansado, com fome e sede. O chefe muito malvado não permitiu. Inconformado o operário foi até o refeitório e pegou um pedaço de pão. O chefe viu, e pra castiga-lo, o amarrou em um poste e lá o deixou. Muitos viajantes passaram e não o ajudaram. Então ele lançou uma maldição, antes de morrer, secar e virar um espantalho: todos que se avisados como nós fomos pelo frentista do posto em Taipki Aiki, para não acessar este trecho, e mesmo assim o fizerem, terão algum pneu furado ou algum problema mecânico”. É a maldição do espantalho da Velha Ruta 40, terminei a historieta com a voz sepulcral, deixando ambos impressionadíssimos.
Mais um personagem criado a partir de nossas viagens, que junto ao “bicho papão da varinha de espinho” e o “Yete”, permeiam o Imaginário e a fantasia dos pequenos astronautas, e que às vezes interagem com os super heróis da marvel ou da DC. Volta e meia estes personagens são no decorrer do ano tema de alguns papos.

20° dia - 15/01/19 - 3ª Parte

20° dia - 15/01/19 - 3ª Parte
Torres del Paine a El Calafate
Quilometragem parcial: 404 km
Quilometragem total acumulada: 6.505 km 


Muita sorte e o universo conspirando a nosso favor no avistamento do Puma. Até o final do dia esta maré de sorte viraria. Seguimos nosso caminho em estado de estase e com a imponência e beleza da natureza continuando a nos impressionar. Em dado ponto uma aglomeração da qual nunca havíamos visto de Guanacos. Creio que mais de 100, juntos, sentados tranquilamente. Pareciam domesticados. Mas na verdade esta amistosidade é conquistada em função deste santuário que os protege e portanto o ser humano aqui não os ameaça. Aqui Não possuem medo. Esta foi uma cena fora de série. Chegamos enfim a pequeníssima e super ajeitada Cerro Castillo, que também me surpreende, ao saber que pessoas vivem nestes Confins em casas boas e aquecidas. Política de assentamento do governo Chileno. Morar com os incentivos do governo Chileno nestes locais distantes e ermos significam para eles, “fazer pátria”. Em Cerro Castilho fica também passo Rio Dom Guillermo, onde atravessaríamos para novamente adentrar a Argentina. Trâmites feitos e alguns quilômetros de Rípio, nos colocaram pela primeira vez nesta viagem, na famosa Ruta 40, Carretera que corta a Argentina de Sul a Norte em paralelo à cordilheira dos Andes. A conhecida pela alcunha de “mítica Ruta 40”. Rodamos alguns quilômetros até Tapi Aike, um entroncamento, onde a velha Ruta 40 segue 65 km em Rípio. Rípio, uma estrada de pedras redondas, depois explico, é uma “entidade” aqui na Argentina. Neste local, onde existe um pequeno posto de combustível que em 2008 também paramos, está exatamente em frente à este entroncamento. Tínhamos duas opções: seguir pelo asfalto (novo traçado da 40) e fazer uma volta com 60 km a mais ou continuar na antiga 40 e economizar estes 60 km, com a desvantagem do Rípio. Perguntei ao frentista o estado do Rípio e ele não recomendou pega-lo, especialmente por estarmos nós, na concepção dele, com uma “camper”, que é diferente de um MH. Porém pensei: estou com um veículo 4x4, já havíamos pego mais de 300 km em Rípio. Nada absurdo. Creio que ele possa estar exagerando. Em 2008 fizemos este trajeto de moto e não achei tão ruim. Creio que dará certo. Resolvemos seguir este caminho de Rípio. Antes, busquei nas vitrines deste pequeno posto de combustível, algum vestígio de nosso adesivo de 2008. Não o estava encontrando. Perguntei a ele se os retiravam a cada tanto. Respondeu que não. Já desistindo de encontrá-lo, não é que ele aparece?! E em ótimo estado. Lindo de reencontra-lo. Parece bobagem, mas aquele adesivo tem muito significado e história. Feliz pelo reencontro, afixei o atual adesivo ao lado deste de 2008 (quem sabe em um futuro meus filhos os reencontrem?). Seguimos animados e felizes nosso caminho. Felicidade que durou pouco, logo que me dei conta da furada (literalmente) que foi, ter optado por este tramo. O Rípio estava horrível. O pior que já peguei. Seguimos devagar, com costeletas, pedras enormes, pedras pequenas, muito vento lateral em um descampado de estepe Patagônica sem fim. Finalmente ao final deste interminável trecho, alcançamos novamente o asfalto. No caminho, espantalhos muito sinistros guardavam a estrada. Mas eis que o rumo da nossa sorte (como mencionei no início deste texto) muda a poucos quilômetros de El Calafate, nosso destino neste dia. Um pneu furado, o segundo desta viagem, é o resultado da nossa escolha lá no entroncamento em Tapi Aike. Na verdade foi a “maldição” do espantalho da velha 40, história que contarei no próximo post.

20° dia - 15/01/19 - (2ª Parte)

20° dia - 15/01/19 - 2ª Parte
Torres del Paine
“Um inusitado e emocionante encontro”


Para deixarmos os parque deveríamos ir em direção a pequena Cerro Castilho onde havia o passo Rio Dom Guillermo, que nos faria novamente entrar na Argentina. Tínhamos ainda dentro do parque duas opções de caminho. Uma que margearia a vista ao maciço Paine, a outra onde poderíamos, se tivéssemos muita sorte, avistar algum Puma, ou seja território deste impressionante felino. O avistamento de um Puma é algo muito raro, especialmente se estivermos passando de carro, pois o barulho os afugenta. Sabíamos do quanto difícil seria, mas eu estava confiante e resolvemos pegar este caminho, afinal já havíamos almoçado de frente às Torres del Paine com todo seu colosso de pedra nos fornecendo junto com as nuvens, um espetáculo, Tentaríamos o território dos Pumas. Alguma coisa me dizia que avistaríamos. Fui andando devagar e observando tudo. Em certa altura, algo inexplicável aconteceu. Senti a presença dele(a). Parei o Yete, pois pensei ter visto a minha direita algo. E não é que a Adelaide de repente grita: “- ali na frente, na estrada!!!???” Estava lá ela com toda sua imponência e elegância. Embora eu tenha sentido a presença ao ponto de parar o veículo, não a havia visto. Foi a Adelaide quem primeiro a avistou. E estava lá ela, tranquila, desdenhando da nossa presença, como se dizendo. Aqui é meu território, sou eu no comando. Atravessou com vagar a estrada, depois voltou, olhou em nossa direção, seguiu o caminho de volta, e ficou um bom tempo se exibindo para nós, a não mais de 30 metros. Foi emocionante este encontro e ficamos todos, muito, muito felizes. Sei o quanto é raro este tipo de encontro. Emocionamos que estávamos, somente filmamos. Fotos não conseguimos. “O”, ou “A” Lindo(a) Puma nos deixou e seguimos nosso rumo com o coração acelerado.